A Voz do Brasil
Câmara amplia bancada feminina e passa a contar com 109 mulheres
05/10/2026 - 20h00
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20261005 VOZ DO BRASIL
- Câmara amplia bancada feminina e passa a contar com 109 mulheres
- PL elege maior bancada e terá 121 deputados na próxima legislatura
- Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato superam os três milhões de votos
Os brasileiros foram às urnas neste domingo para participar do processo eleitoral.
A eleição presidencial de 2026 registrou mais de 119 milhões de votos válidos no primeiro turno, o maior número já registrado nesta etapa da disputa pelo Palácio do Planalto.
Os eleitores também votaram para escolher os próximos governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais.
Na Câmara dos Deputados, o PL elegeu a maior bancada para a próxima legislatura. A repórter Silvia Mugnatto explica como fica a correlação de forças na Casa, a partir do resultado das eleições deste domingo.
O PL elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados neste domingo (4) e vai ter 121 deputados na próxima legislatura, que começa em 1º de fevereiro. Em 2022, o partido havia obtido 97 cadeiras.
O segundo colocado para a Câmara foi a federação PT-PCdoB-PV, com 88 deputados, seis a mais que na última eleição.
Além do PL e da federação PT-PCdoB-PV, ganharam deputados em relação ao total eleito em 2022: o PSD, Republicanos, Podemos, Novo e Missão. O Novo teve um aumento de 3 para 10 deputados.
Entre os que perderam, destaque para a federação União-PP que passou de 105 para 87. PSDB-Cidadania perdeu 7 cadeiras, chegando a 11 e o PDT ficou com 6 deputados, uma perda de 10 cadeiras. PSB e Psol-Rede mantiveram uma bancada de 15 deputados. Os outros que registraram quedas foram MDB, PRD-Solidariedade e Avante.
Em entrevista ao programa Painel Eletrônico da Rádio Câmara, a consultora legislativa Manuella Nonô, cita o crescimento de partidos como PL e Novo como exemplo de uma eleição ideológica e mais à direita.
Manuella Nonô: “Eu acho que essa foi a eleição dos partidos ideológicos. Seja de um lado, seja de outro, essas agremiações ganharam, foram premiadas pelos eleitores. Os partidos catch-all, aqueles que vale tudo, o famoso Centrão, de uma forma geral ele perdeu, tanto na Câmara quanto no Senado. E isso não se deve somente ao eleitorado, também se deve à reforma do sistema político brasileiro que tem acontecido, que tem colocado cláusulas de barreira, que proibiu as coligações nas eleições proporcionais. Isso tudo está depurando o sistema, devagar, mas continuamente.”
Também em entrevista ao Painel Eletrônico, o professor de Ciência Política da Universidade de Brasília André Borges afirma que foi uma eleição plebiscitária, citando a definição de segundo turno para presidente, que será disputado entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula.
André Borges: “Ele mostra um certo padrão no comportamento do eleitorado no que diz respeito ao fato de que quando a gente tem uma eleição em que o presidente em exercício no cargo concorre à reeleição, invariavelmente esse pleito acaba se tornando uma espécie de plebiscito sobre o governo. E eu acho que o grande desafio da campanha do Lula sempre foi o fato de que ele não conseguiu, ao longo da campanha, melhorar os índices de aprovação do governo.”
Os dois especialistas explicam, porém, que o sistema ainda mantém vários partidos e com resultados diversos nos estados. Portanto, a Câmara manterá, por exemplo, deputados mais voltados para a busca de recursos para as suas regiões. E a falta de uma decisão sobre o Executivo no primeiro turno deverá, segundo eles, adiar votações mais polêmicas.
Dos 513 deputados federais eleitos, 183 vão exercer seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados. Esse número representa uma taxa de renovação de 35,67%.
Já o número de deputados reeleitos é de 301, 58,6% do total de deputados que foram eleitos titulares nas eleições de 2022 ou suplentes que foram efetivados como titulares ao longo da atual legislatura.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Silvia Mugnatto.
Eleições
Novas deputadas serão 21% do total de parlamentares na Câmara, percentual acima da atual legislatura, mas ainda abaixo do total de mulheres na população brasileira. A repórter Paula Bittar traz uma análise sobre o crescimento da bancada feminina para a próxima legislatura.
O número de mulheres eleitas para a Câmara aumentou, mas a representação feminina entre os deputados continua muito abaixo da proporção da população.
A partir de primeiro de fevereiro do ano que vem, as mulheres representarão 109 dos 513 parlamentares da Câmara, 19 a mais que o número atual. Ainda assim, enquanto são mais de 51% da população brasileira, serão pouco mais de 21% dos deputados federais.
59 delas, ou 54%, foram reeleitas. A federação composta por PT, PCdoB e PV elegeu a maior parcela de mulheres, somando 34 cadeiras, o equivalente a 31% da representação na Casa.
Os colégios eleitorais do Sudeste foram os principais responsáveis pela formação dessa nova bancada. São Paulo elegeu 16 deputadas, concentrando 14,7% de todas as cadeiras ocupadas por mulheres na Casa. Logo atrás, Minas Gerais e Rio de Janeiro garantiram 11 e 10 parlamentares, respectivamente.
Fora do eixo Sudeste, Bahia, Pernambuco e Santa Catarina destacam-se, com 6 deputadas eleitas em cada estado. Por outro lado, Distrito Federal, Piauí e Roraima encerraram a apuração sem eleger mulheres para a nova legislatura.
A deputada Erika Hilton (Psol-SP) foi reeleita como a mulher mais votada da história da Câmara dos Deputados, com 1,5 milhão de votos conquistados. Hilton foi uma das duas primeiras mulheres trans eleitas para a Câmara, ao lado de Duda Salabert (Psol-MG), em 2022. Em Minas Gerais, Duda Salabert aparece como a terceira mais votada, com quase 230 mil votos, e também deve assumir um novo mandato.
Magda Mofatto (PL-GO), aos 77 anos, será a integrante com mais idade em exercício na Casa.
A cientista política Hannah Maruci considera positivo o aumento na bancada feminina, e atribui essa elevação ao financiamento das campanhas.
Hannah Maruci: “Os partidos tinham até 8 de setembro para fazer o repasse para mulheres, pessoas negras e indígenas. E de um modo geral esse prazo foi cumprido. Claro que tiveram partidos que individualmente não cumpriram, mas no montante geral do fundo especial de financiamento de campanha esse dinheiro foi destinado. Então tanto o montante quanto o momento em que ele entra faz toda a diferença para a eleição de mulheres.”
Na análise da composição da bancada, a cientista política ressalta que ela se divide principalmente em esquerda e direita, com um centro esvaziado.
Hannah Maruci aponta, por outro lado, que no Senado a votação foi expressiva para mulheres de direita.
Hannah Maruci: “A gente tem um crescimento expressivo também de mulheres eleitas, porém essas mulheres muitas delas se colocaram e fizeram sua campanha deslocada de valores ligados aos direitos das mulheres, algumas até se posicionando contra o voto feminino. Então a gente tem um crescimento de mulheres muito mais ligadas ao conservadorismo, muito mais ligadas ao espectro de direita no Senado. E isso é uma tendência do Senado como um todo, né? O crescimento do conservadorismo no Senado foi bastante expressivo, a direita agora pela primeira vez é maioria no Senado Federal.”
Para o Senado, entre as 54 vagas em disputa, 12 foram para mulheres. É o maior número de senadoras eleitas em um mesmo pleito desde a redemocratização.
Até então, o recorde havia sido registrado em 2002, quando oito mulheres conquistaram cadeiras na Casa. Em 2018, última eleição em que também foram renovados 2/3 do Senado, sete mulheres foram eleitas.
Com o resultado, a bancada feminina deve passar das atuais 15 para 18 integrantes a partir de 2027.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Paula Bittar.
Política
Campeões de votos ajudam a ampliar as bancadas de seus partidos na Câmara. Antônio Vital tem as informações.
O resultado final das eleições para deputado federal apontou a existência de candidatos muito bem votados que funcionaram como puxadores de votos para seus partidos e acabaram contribuindo para que outros parlamentares, que não teriam individualmente votos suficientes para se eleger, também conquistassem uma vaga.
Puxadores de votos são aqueles candidatos que obtiveram votação acima do chamado quociente eleitoral, que é o cálculo usado para apontar quantas vagas cada partido tem por estado.
Foi o caso, por exemplo, de dois deputados do PL: Nikolas Ferreira (PL-MG), em Minas Gerais, e Lucas Pavanato, em São Paulo.
Os dois receberam mais de 3 milhões de votos e ajudaram a ampliar a bancada do PL na Câmara. Em Minas Gerais, o PL elegeu 21 deputados, sendo que nove deles não teriam sido eleitos sem os votos de Nikolas. Um deles, Sargento Mello-Casal, acabou eleito com apenas 25 mil votos.
Em São Paulo, os votos a Pavanato ajudaram a eleger sete deputados que não teriam votos suficientes entre os 19 eleitos pelo PL. Isso porque, na eleição para deputado, os votos são computados para o partido ou federação do candidato. Quanto maior essa soma, mais cadeiras o partido tem.
Também em São Paulo, a deputada Erika Hilton (Psol-SP) recebeu mais de 1 milhão e meio de votos, o que ajudou o partido dela, o Psol, a conquistar seis vagas na Câmara, uma a mais do que teria direito se não fossem contabilizados os votos para o partido.
O ponto em comum entre os campeões e as campeãs de votos é a campanha com forte presença nas redes sociais.
Para o cientista político André Borges, da Universidade de Brasília, a campanha pelas redes sociais é uma nova maneira de fazer política que veio para ficar.
André Borges: “Candidatos mais localistas, ex-prefeitos, ex-vereadores, geralmente eles vão ter aquela votação mais concentrada no seu município e o que a gente observa nos últimos anos é que a campanha através da rede permite chegar a um custo relativamente baixo a eleitores que estão espalhados ali pelo território do Estado. Então você passa a ter um tipo diferente de campanha. Eu acho que é um novo jeito de fazer política, que veio para ficar, e que está abrindo espaço também para a ascensão de novas lideranças.”
Consultora legislativa da Câmara dos Deputados, Manuella Nonô também relacionou a presença nas redes sociais ao resultado da votação.
Manuella Nonô: “Quando você se torna conhecido pelas redes sociais, se torna quase natural você ter uma votação, embora essas realmente tenham sido extraordinárias. Eu quero dizer aqui que o Nikolas sozinho teve 27,41% dos votos válidos de Minas. O PL fez 19 cadeiras. Sem o Pavanato, ficaria doze. Então, o Pavanato deu sete cadeiras para o PL. Ele teve 47,26% de todos os votos do PL de São Paulo. Isso é muita coisa.”
Outros candidatos também ajudaram a ampliar a bancada de deputados em seus estados graças à grande quantidade de votos. André Fernandes (PL-CE) foi eleito com quase 700 mil votos no Ceará, mais de 12% dos votos do estado. E Julia Zanatta (PL-SC), também do PL, recebeu 560 mil votos, o equivalente a 13% de todos os votos de Santa Catarina. Também foi eleito com 13% dos votos do Distrito Federal, o candidato Fábio Felix, do PSol.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Antonio Vital.
Trabalho
A notícia de que postos de gasolina estavam obrigando as frentistas a trabalharem de biquíni motivou um debate sobre os limites das empresas na definição dos uniformes de seus funcionários.
A questão chegou à Câmara dos Deputados, onde uma proposta foi apresentada para impedir que as vestimentas nas empresas violem a dignidade do trabalhador. O repórter Luiz Cláudio Canuto tem os detalhes.
Está na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados projeto (PL 230/26) que cria regras para uso de uniformes de trabalhadores. A intenção é evitar a violação da dignidade do empregado.
Atualmente, a CLT define que cabe ao empregador definir o padrão de vestimenta dos empregados, sendo permitida a inclusão no uniforme de logomarcas da própria empresa ou de empresas parceiras e de outros itens de identificação relacionados à atividade desempenhada.
A proposta proíbe diferenças que destoam da finalidade da profissão e veda a imposição de roupas que provoquem riscos físicos ou ambientais desnecessários.
A autora do projeto, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), explicou o que a motivou a apresentar a proposta.
Laura Carneiro: “Na verdade, esse projeto surge de uma modinha que apareceu de que as mulheres tinham que estar no posto de gasolina vestidas de biquini, como se a pessoa vai por gasolina apenas para ver aquelas mulheres seminuas. Isso é um completo absurdo, um desrespeito às mulheres brasileiras, um desrespeito ao corpo, um desrespeito à identidade, e, muito mais, um desrespeito à profissional. Você não está tratando de uma mulher que vai vender o seu corpo. Ela está vendendo um produto e ela não tem que utilizar o seu corpo para isso. É um completo absurdo. É entender que a mulher é um objeto, é tudo o que a gente batalha, é o que alimenta essa política do machismo, é o que alimenta essa visão torpe de que mulher é objeto e é isso que a gente combate todos os dias.”
O texto original proibia qualquer uniforme que expusesse o corpo de forma indevida ou que fosse incompatível com a natureza do trabalho e determinava que as normas internas das empresas sobre uniformes deveriam observar critérios de conforto e respeito à diversidade corporal.
Na Comissão do Trabalho, a relatora, deputada Rogéria Santos (Republicanos-BA), optou por uma redação que retirasse o caráter moralizante da proposta e preservasse a autonomia das empresas na gestão da força de trabalho. A comissão acompanhou a sugestão da relatora.
Pelo texto aprovado, o empregador não pode exigir dos empregados o uso de vestimentas incompatíveis com a finalidade da atividade.
A proposta aguarda avaliação da Comissão de Constituição e Justiça e, se aprovada, poderá seguir diretamente ao Senado.
Para virar lei, precisa ser aprovada pelos deputados e os senadores e, depois, ser sancionada pela presidência da República.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Luiz Cláudio Canuto.
Segurança pública
Comissão aprova realização de campanha contra divulgação de dados de autor de crimes em escolas. A repórter Maria Neves tem os detalhes.
A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou projeto que prevê a realização de campanhas de conscientização sobre a divulgação de dados pessoais de autores de homicídios em escolas. Pela proposta, as ações deverão incentivar a cobertura jornalística responsável e ética, que priorize o interesse público.
O texto original, do deputado Dr. Jaziel (PL-CE), proíbe a divulgação de informações como nome e foto do autor de crimes cometidos com o objetivo de provocar terror social ou generalizado. Dr. Jaziel propõe inclusive punições para quem incorrer na conduta, mesmo para os meios de comunicação.
O relator na Comissão de Segurança Pública, deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), no entanto, recomendou a aprovação da versão apresentada pelo relator na Comissão de Comunicação, deputado Cleber Verde (MDB-MA).
Cleber Verde considera que proibir veículos de imprensa de divulgar nomes de pessoas envolvidas em crimes de terrorismo consiste em censura prévia, o que é proibido pela Constituição.
Cleber Verde: “Apesar de reconhecermos os nobres desígnios insculpidos na concepção desses projetos de lei, suas concepções materiais violam o comando constitucional que veda a censura prévia, tornando-os incompatíveis com a sistemática do nosso ordenamento constitucional.”
O projeto que prevê a realização de campanhas de conscientização sobre a divulgação de dados pessoais de autores de homicídios em escolas ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça. A proposta também terá de ser votada pelo Plenário e, se aprovada, poderá seguir para o Senado.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Maria Neves.