Brigadeiro nega existência de pontos cegos no espaço aéreo
17/05/2007 - 20:11
O brigadeiro-do-ar Jorge Kersul Filho, que chefia o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), voltou hoje a negar a existência de pontos cegos nos radares que controlam o espaço aéreo brasileiro. A possível falta de cobertura dos radares em algumas áreas foi uma das principais preocupações demonstradas pelos deputados na reunião desta tarde da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Crise Aérea. Os pontos cegos chegaram a ser apontados como a possível causa do acidente entre um boeing da Gol e um jato Legacy, em 29 de setembro do ano passado, que resultou nas mortes de 154 pessoas.
De acordo com Kersul Filho, as investigações do Cenipa estão dentro do prazo, que pode ser estendido dependendo da complexidade da situação. "Nos Estados Unidos, elas levam até 18 meses", comparou. Segundo explicou, o órgão que chefia não tem a finalidade de apontar culpados ou responsáveis, o que cabe ao inquérito policial. "Nosso trabalho visa a encontrar os fatores que contribuíram para provocar o desastre e, o mais importante, apresentar recomendações para evitar novos acidentes", definiu.
No caso do acidente da Gol, a investigação envolve 50 técnicos, inclusive de outros países, e já apresentou algumas recomendações, como incluir um sinal sonoro de advertência no caso de algum equipamento não funcionar corretamente. Kersul observou que um dos maiores problemas de comunicação com pilotos é a atuação das rádios piratas, que interferem nas freqüências usadas pelos aviões. Por isso, a Aeronáutica tem combatido a proliferação de estações ilegais. Para melhorar a qualidade do tráfego aéreo, o brigadeiro pediu maior volume de recursos para os órgãos ligados a esse sistema.
Diminuição de acidentes
Kersul Filho apresentou dados indicando que, apesar do aumento no volume de tráfego, o número de acidentes tem diminuído desde o início da década passada. Em 1990 foram registrados 188 acidentes, enquanto no ano passado aconteceram 33. "Esses números são comparáveis aos da Europa. Estão um pouco acima dos Estados Unidos, mas bem melhores em relação ao resto do mundo", ressaltou o militar.
O brigadeiro defendeu o sistema de tráfego aéreo brasileiro, que envolve civis e militares. Segundo ele, o sistema permite economia de meios e resposta mais rápida em emergências. "Mais segurança no transporte aéreo, só de elevador", ironizou. As falhas humanas foram apontadas como o fator que mais contribui para acidentes. "As aeronaves são máquinas quase perfeitas", argumentou.
Protestos
A reunião foi encerrada por causa do início da Ordem do Dia, mas sob protestos dos deputados que não tiveram oportunidade de questionar o brigadeiro. "A manutenção da militarização do setor é o que está em jogo, no forma como a CPI está sendo conduzida", disse o deputado Ivan Valente (Psol-SP). Ele informou que somente no Brasil, no Uruguai e na Eritréia o controle de tráfego aéreo ainda é feito por militares.
O presidente da CPI, deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), esclareceu que estava apenas cumprindo o Regimento Interno, que prevê o encerramento das reuniões de comissões no início da Ordem do Dia. O relator, deputado Marco Maia (PT-RS), disse que os parlamentares terão condições de analisar novos pontos de vista nos depoimentos previstos para a próxima semana.
Agenda
Na próxima terça-feira (22), às 9 horas, a CPI ouvirá os presidentes do Sindicato do Nacional dos Trabalhadores de Proteção ao Vôo, Jorge Botelho, e da Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo, Wellington Rodrigues.
Na quarta-feira (23), ao meio-dia, os deputados votarão requerimentos. Na quinta-feira (24), às 9 horas, serão ouvidos o diretor-presidente da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, e o brigadeiro Ramón Borges Carneiro, do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DCEA).
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Edição - Francisco Brandão
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