Chinaglia quer inclusão do trânsito na agenda legislativa

23/04/2007 - 11:31  

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, defendeu que a sociedade cobre do Congresso Nacional a inclusão de temas referentes à segurança do trânsito na agenda da Câmara e do Senado. Ele participou há pouco da abertura da sessão solene em homenagem à Semana Global das Nações Unidas de Segurança Viária e em memória das vítimas de trânsito no Brasil.

Chinaglia afirmou que a insegurança viária tem se revelado um problema social grave, que envolve deficiências em áreas como transportes, segurança, educação e políticas urbanas. O presidente também argumenta que a segurança viária afeta as finanças de organizações governamentais, com impacto direto sobre o desenvolvimento de vários países. "A hospitalização, a conseqüência de seqüelas e a reabilitação significam, além de sofrimento, custos para diversos setores do aparato estatal que poderiam ser minimizados com ações e programas consistentes de prevenção de acidentes. O Brasil gasta, com esse grave problema, mais de R$ 5 bilhões por ano".

Prioridade do Parlamento
Apesar de defender uma pressão maior da sociedade para que o Congresso analise projetos relativos ao tema, o presidente da Câmara disse que o Parlamento brasileiro está "atento à questão". Ele citou, como exemplo, a decisão da Comissão de Segurança Pública da Câmara de criar uma subcomissão especial para acompanhar a situação do trânsito no país e a aplicação do Código de Trânsito Brasileiro. "Os parlamentares consideraram o momento oportuno, principalmente em razão de o Código de Trânsito Brasileiro completar dez anos neste ano", afirmou, assinalando que a legislação nessa área já precisa de ajustes e atualizações.

Ele também propôs que a Câmara intervenha para que os cerca de R$ 3 bilhões arrecadados com multas todos os anos sejam investidos em campanhas educativas e na fiscalização do trânsito. Ele classifica a impunidade como um dos grandes responsáveis pelo crescimento do número de acidentes. Chinaglia lembrou que ele próprio foi vítima de um acidente de trânsito no ano passado.

Mortalidade alta
Para Chinaglia, os problemas no trânsito ainda envolvem injustiças socioeconômicas, já que a principal vítima é normalmente a população de baixa renda. O presidente classificou de "carnificina" as conseqüências dos acidentes de trânsito no Brasil e no mundo. "Cerca de 1,2 milhão de pessoas morrem no mundo por ano em conseqüência de acidentes de trânsito, número que representa mais de 2% da mortalidade mundial, e é comparável ao número de mortes causadas por grandes epidemias, tais como a malária e a tuberculose. Além disso, milhões de outras pessoas são feridas e adquirem deficiências irreversíveis. No Brasil, registramos a cada ano mais de 350 mil acidentes com vítimas, 35 mil mortos e 450 mil feridos", afirmou.

Reportagem - Rodrigo Bittar
Edição - Paulo Cesar Santos

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