Carla Camurati: uma cidadã sem anestesia

02/04/2007 - 18:00  

Atriz, ela é reconhecida por filmes, peças teatrais e novelas de sucesso. Cineasta, dirigiu e produziu filmes como Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, um dos marcos da retomada do cinema nacional; também o nostálgico Copacabana e a versão para cinema da peça Os Mistérios de Irma Vap, seu mais recente trabalho. Além disso, organizou um festival internacional de cinema infantil, o primeiro do gênero no País. Ela é Carla Camurati, entrevistada pelo programa Personalidade. Participam da entrevista a jornalista Márcya Reis, da TV Câmara; Daniele Lessa, da Rádio Câmara; e a cineasta Liloy Boubli.

Márcya Reis: Você produziu um longa metragem em um momento em que o cinema brasileiro vivia uma fase muito difícil. Hoje, como você vê o cinema brasileiro? Vale a pena fazer cinema no Brasil?
Carla Camurati: Tudo no Brasil é difícil. O Brasil é um país que precisa se estruturar em todas as áreas. Se você perguntar se ser médico no Brasil é fácil, provavelmente não é; ser professor no Brasil é fácil? Dificílimo. Ser cineasta também é um pouco difícil, pois o País está se estruturando e formando os procedimentos de leis para uma política audiovisual. É claro que hoje está melhor do que há alguns anos. É claro que, pelo tamanho do País, a gente precisa realmente fazer uma política mais ampla.

Liloye Boubli: A quê você atribui o fato de termos uma política de incentivos fiscais que beneficia os patrocinadores e ainda assim haver uma barreira tão grande na compreensão do empresariado?
Carla Camurati: -Eu acho que existe a compreensão. A elite e o empresariado brasileiro também estão sofrendo seu processo de transformação. Muitas empresas já começam a estabelecer vínculos sérios com a cultura, o cinema. Elas podem utilizar as leis de incentivo como um benefício, mas tem gente que nem sabe, não conhece o uso da lei. Há várias peças do quebra-cabeça faltando para que ele se feche direito, mas estamos em um caminho muito saudável, não acho que estejamos em um caminho ruim. O País é enorme, mas tem pouca sala de cinema, a produção aumenta nacional e internacionalmente. Estamos chegando a um ponto em que são lançados cinco, seis filmes semanalmente. Não dá para o ser humano absorver seis, sete filmes por semana, entre nacionais e internacionais. Há poucas salas, proporcionalmente, no País, embora esse quadro seja muito melhor do que era há dez anos. Dizem que abriram 40 salas, mas, no último ano, fecharam 30. Ficamos com uma média de 10. Enfim, estamos em um momento melhor do que já estivemos.

Daniele Lessa: O cinema é a arte que questiona a realidade, ainda que de maneira lúdica. A gente tem um cinema voltado para esse tipo de discussão?
Carla Camurati: Eu acho que não estamos tendo uma arte engajada, nesse sentido da reflexão. O maior problema que temos atualmente é a falta de reflexão como um todo. Outro dia me ligou uma professora que queria fazer debates sobre o Carlota Joaquina. Ela falou: "Eu fiquei muito impressionada porque tudo o que está no filme é verdade". Pelo fato de ser uma comédia, as pessoas acham que tem mais brincadeira no filme do que na realidade há. As pessoas, às vezes, ficam surpresas e dizem: "Eu achava que aquilo era uma brincadeira, que o presidente do Banco do Brasil não era um mulato". Como é que eu ia colocar um negro presidente do Banco do Brasil, em um momento tão delicado da história, se isso não fosse verdade! Talvez, se fosse um filme sério, ele não tivesse essa empatia que teve...

Márcya Reis: Você acha que essa herança de colônia, escravagista, ainda se reflete no nosso povo?
Carla Camurati: Acho que a gente tem uma elite muito egoísta, que se comporta de uma maneira muito feia, que precisa parar de tratar quase como escravas as populações mais pobres. Enquanto a sociedade não exigir que os filhos das pessoas mais pobres sejam educados da mesma maneira que seus filhos, que tenham uma educação digna, não vamos mudar o País. Os políticos também não vão fazer isso. Eles vão fazer, na realidade, o que a temperatura da população pedir. Durante muitos anos a gente quase escravizou os filhos das pessoas mais pobres, uma escravidão branca. Enquanto a sociedade não entender que tem de brigar pela educação que comece na infância das classes mais pobres do País, a gente vai entrar em um grau de violência insustentável. Não vai ter jeito. Tudo bem, a gente pode mudar um conjunto de leis para reduzir a violência. Acho que precisa, sim, haver punição, acho que tem que haver limite para as coisas. São vários os remédios. Não será um remédio que resolverá essa nossa crise de jeito nenhum.

Liloye Boubli: É preciso mudar um pouco também esse foco da política, que é visado sempre na eleição, para privilegiar a participação contínua da sociedade como um todo.
Carla Camurati: A sociedade precisa se impor, gente. A Constituição de 1988 tem artigos excelentes. Tem lá o artigo 39, que seria um ganho. Sabe quantos processos foram abertos contra o Governo na questão da educação de 1988 até hoje? Vinte e dois. É absolutamente nada. O Governo brasileiro tinha de ser processado. Não é o Governo Lula, é a instituição Governo. Não estou falando de políticos, pessoas. Estou falando do Estado brasileiro. Ele tinha de ser muito processado, o dia inteiro, por milhões de pessoas, porque ele deixa a desejar a todos na educação.

Daniele Lessa: Concretamente, como as pessoas podem se mobilizar?
Carla Camurati: Por exemplo, eu e a Karen Acioli estamos organizando encontros com pessoas da sociedade. São artistas, são pessoas, pais e mães. Por quê? Porque a gente precisa pensar sobre a situação que está sendo vivida no Rio de Janeiro. A sociedade está acordando e vendo que ela, sim, vai ter que sair do seu conforto para reivindicar. A educação é uma briga que tem de ser direta e nossa, da sociedade civil mesmo. Ela não pode permear só o campo político! E também tenho certeza de que, na hora em que essa transformação começar, será rápida. Dá-se o básico de educação fundamental para todos, escolas com dignidade. Não precisa ser prédios caros, mas aumentar o salário do professor. É nesse sentido que a sociedade tem de começar a querer saber realmente das coisas, a tomar conta do País. Queremos, sim, a prestação de contas. Quanto custa? Quatro mil e quatrocentos reais cada menor? Onde o senhor gasta R$ 4.440,00 para cada menor? Por favor, abra sua planilha. Isso é transparência, é essencial para este momento de mudança do País. Deveríamos ter essa maturidade. A transparência vai obrigar, sim, uma mudança de costumes e de atitudes, em que provavelmente vamos eliminar os favores. Vai ser muito desagradável para uma sociedade que está sentada e implantada neste formato atual.

Liloye Boubli: A educação começou a ser exigida com mais veemência quando veio a discussão da maioridade penal. Você já tem alguma opinião sobre a redução da maioridade penal?
Carla Camurati:Eu fico em dúvida em relação à redução da maioridade penal, por dois motivos. Primeiro porque, de alguma maneira, ela prejudica também os adolescentes, porque eles são usados. Fala-se entre 16 e 18 anos. Desculpem, é nada. Com 16 e com 18 anos eu era a mesma pessoa, não tive uma transformação. De 14 para 18, eu tive; de 16 para 18 a minha transformação foi zero. Por outro lado, quando penso que vamos pegar um menino de 16 anos e colocar numa cadeia comum, eu falo: "Opa, não vai dar certo isso". Por outro lado, vemos como estão as casas de menores infratores. É horrível! Essas fotos têm de estar no jornal. As pessoas têm de ver essa realidade. Na próxima reunião que tivermos, quero exatamente isso, mostrar como cuidam dos menores infratores, como são as instalações, o que é feito, para vermos se está adiantando. É isso que estou dizendo: gasta-se R$ 4.400,00 em quê? Nessa estrutura que estamos vendo aqui? Como essa estrutura custa isso? Cadê a transparência da nossa atitude? Penso que é isso que falta.
Acho que ao mesmo tempo temos que aumentar a pena do menor. A pena não pode ser de 3 anos e "Oba! Estou na vida!". É claro que não dá certo. Estávamos falando do filme Pro Dia Nascer Feliz. Lá temos o depoimento de uma menina que matou a outra na escola. Não aparece a imagem porque não se pode mostrar o menor infrator, mas é tão chocante quando ela fala: "Matar sendo de menor não é nada; três anos passa rápido". Aquilo é de uma violência! Cada vez que escuto aquilo, de uma menina de 16 anos... Essa consciência existe nos adolescentes.
Não precisa diminuir a maioridade penal, mas, com certeza, temos de cuidar da relação com crime hediondo seriamente. A crueldade tem aumentado.

Márcya Reis:Você pode falar um pouco sobre o filme Pro Dia Nascer Feliz, do João Jardim?
Carla Camurati: Pro Dia Nascer Feliz fala sobre adolescentes e escolas. É um filme muito importante, porque humaniza as relações da adolescência dentro do nosso País, em escolas diferentes, de classes sociais diferentes. O filme está sendo distribuído por mim. É uma distribuição muito delicada. É um filme muito pequeno. Temos pouco dinheiro para lançar, mas, graças a Deus, só no Rio de Janeiro e em São Paulo ele já fez 30 mil espectadores. Ao mesmo tempo, ele tem um conteúdo tão sólido e tão importante para as pessoas verem!

Liloye Boubli:Várias vezes eu chorei no filme e em alguns momentos eu cheguei a pensar: "Meu Deus, não tem jeito". E você imediatamente falou: "Não, tem, tem esperança". Então, vamos lá. Fale um pouquinho disso.
Carla Camurati: Tenho certeza de que tem esperança. Não tenho dúvida de que é um trabalho árduo. O que me faz ter certeza de que podemos ter uma escola muito boa e digna é que conheço escolas que são públicas e muito boas e dignas. Existe uma escola no Rio de Janeiro chamada Patronato Operário da Gávea. Meu filho estudava em cima do Patronato. Toda vez que eu subia para deixar meu filho na escola, eu ia vendo o Patronato e dizia: "Nossa, que lugar legal. Adoraria que meu filho pudesse estudar aqui". Não posso colocar meu filho ali porque ele estará tirando a vaga de outra criança. Eu cheguei a dizer: "Eu pago, para que o dinheiro da mensalidade entre". Eu não queria a gratuidade da escola, eu queria escola, convivência de classes. Eu tive isso a minha vida inteira, não fui criada dentro de uma bolha. A gente dividia a merenda, eu adorava o feijão da escola...

Daniele Lessa: Carla, você não acha que, além da preocupação com políticas públicas, com questões sociais, falta solidariedade, individualmente?
Carla Camurati: Com certeza. Temos que começar com esse olhar menos egoísta. Não adianta você ter tudo se você não tem segurança para os seus filhos. Não adianta você ter tudo se você vive com esse balde de violência sendo atirado todos os dias na sua cara. Está acontecendo uma coisa horrível comigo. Desde que aconteceu aquele negócio com o menino lá no Rio de Janeiro, eu tenho a nítida sensação de que me tiraram a anestesia. Eu estou sem anestesia e vivendo em uma sociedade um pouco anestesiada.

Liloye Boubli: Mas você não acha ótimo estar sem anestesia?
Carla Camurati: Eu acho que é bom, mas ao mesmo tempo é meio incômodo, porque eu fico muito veemente. Às vezes, dentro de casa, preciso fazer alguma coisa com essa energia. Por isso comecei a fazer esses encontros, por isso eu falo que a gente tem que pensar. A sensação que eu tenho é que eu estou sendo operada a sangue frio, com um bando de gente dizendo assim para mim: "Nossa, você viu que loucura!" "Nem me fale disso, porque eu não consigo nem imaginar". Pelo amor de Deus! E coisas mais loucas: "Ah, isso acontece em qualquer país do mundo, isso é assim mesmo." Oi! Pessoal! Atenção! É toda semana! De dois em dois dias! O País vem com uma coisa absurda, um balde de lama na sua cara todos os dias. Como eu tenho a sensação de terem tirado a minha anestesia, e parece que ainda estão mantendo a das pessoas à volta, eu fico com um grau de intensidade de sofrimento pelo que a gente está passando muito desproporcional, muito violento. Às vezes fica quase insuportável para mim tanta carga. Pro Dia Nascer Feliz é um filme que serve como matéria para que as pessoas visualizem esse desperdício de gente boa, que estamos deixando estragar nas nossas mãos. A gente é muito rica. Não falta dinheiro para o Brasil resolver isso. Falta gente, falta decisão da sociedade, faltam pessoas aplicadas nisso. Eu tenho certeza absoluta de que não falta dinheiro. Me dá o Orçamento aqui que vou te arrumar dinheiro para isso. Eu acho difícil achar gente. A vontade é de que isso aconteça dentro das pessoas. Isso é de fato o que transforma.

Márcya Reis: Gostaria de saber se você acha que a formação da platéia, de um olhar crítico, realmente interfere em uma mudança de atitude da juventude.
Carla Camurati: Com certeza. Eu acho que o cinema e a arte em geral são fortes aliados na educação. E o cinema tem uma coisa que é muito legal, que é a inclusão social, que é poder botar nas salas de cinema crianças que nunca foram ao cinema, que nunca tiveram a oportunidade de ver um filme numa tela grande. Tudo isso é muito legal. E é muito emocionante.
Dentro do Festival Infantil — esse vai ser o quinto ano que a gente faz —, a gente tem o projeto Tela na Sala de Aula. É um projeto bárbaro, que já levou 160 mil crianças, em três anos, para dentro de salas de cinema. Neste ano, promete levar pelo menos mais 100 mil. A gente inclusive está fazendo uma parceria superlegal com o CCBB/Brasília só para o projeto. Só em Brasília vamos ter mais 30 mil crianças, que estão indo assistir a filmes que foram especialmente dublados. Na realidade, a gente tem um caderno de idéias que dá para os professores. Eles recebem uma palestra com a nossa pedagoga, que explica mais ou menos como é que se pode usar o cinema como um instrumento de auxílio à educação. Os Parâmetros Curriculares Nacionais, do MEC, são cruzados com o conteúdo dos filmes, sugerindo atividades que possam entrar dentro do currículo. Então, você foi assistir ao filme e, na volta, há uma série de coisas em matérias diferentes. Você consegue abordar matemática, geografia, ciências, moral, filosofia. E este trabalho está surtindo um efeito muito interessante. Temos sempre uma resposta, porque todo final de ano chegam os trabalhos.

Daniele Lessa: O problema é que o custo de se ir ao cinema, de comprar livros, é muito alto no Brasil.
Carla Camurati: Uma coisa que a gente faz no festival todos os anos é, primeiro, cobrar meia entrada de todo o mundo. Então, há famílias que passam o dia no cinema exatamente por isso. Uma família de quatro pessoas, com 100 reais, se quiser, assiste a três filmes e lancha. E é ótimo, faz aquele programa de cinema o dia inteiro. O festival percorre seis estados, oito cidades. Queremos aumentar neste ano para oito estados. Se o único jeito que eu tenho é dublar esses filmes, para que as crianças tenham a compreensão da história, tenho que aproveitá-los ao máximo. Tenho que fazer um festival que seja itinerante e ter um projeto escola muito forte, que justifique eu ter dublado o trabalho, o dinheiro. Então, o filme passa um ano no festival, aberto ao público. No ano seguinte, ele está em A Tela na Sala de Aula, em todos os estados, gratuitamente para as crianças e para os professores.

Liloye Boubli: Esse projeto pode estimular a produção brasileira, que em termos de cinema infantil é bem reduzida?
Carla Camurati: Já está estimulando. É engraçado que, do primeiro ano para este, não dispúnhamos de filme brasileiro. Agora, estamos conseguindo fazer sessões de pré-estréia no Brasil. Neste ano, a gente fez uma com um filme de Curitiba, Brichos, que foi superlegal. Conseguimos apresentar um clássico, O Saci, do Rodolfo Nani. A gente procura fazer um cardápio bem variado, rico de informações, de linguagens diferentes de animação.

Márcya Reis: Quero saber a sua opinião sobre o papel da televisão na formação da cidadania.
Carla Camurati: A televisão tem um problema que requer discussão. Toda vez em que vamos discutir qualquer coisa, a discussão econômica é a primeira. Então, ela destrói um pouco as relações. Claro que tem que haver classificação indicativa de censura. Ora, gente, é óbvio, 10 mil vezes óbvio, tem que haver. A televisão, sim, também tem que ter o seu limite. Não existe essa história da responsabilidade do pai. No fundo, está-se discutindo dinheiro, objetivamente dinheiro. É claro que todos concordamos que o melhor para as nossas crianças é que a televisão tenha um mínimo de limite, que ela respeite minimamente algumas regras. Sou contra a censura. Mas a censura de horário é importante. Ela é importante para todos, até para a qualidade da própria televisão, que hoje desacredita a sua própria qualidade. Acha que, para ter audiência, precisa fazer muita porcaria, o que é uma mentira. Um dia eu estava falando com um psiquiatra, que me disse uma coisa bárbara. Ele falou assim: "O ser humano, por um lado, tem uma essência boa. A princípio, ele tem uma essência boa, embora ele traga todos os desequilíbrios dentro dele." Então, toda a vez em que você vê uma imagem muito ruim ou muito violenta, fica pregado nela, não porque esteja necessariamente gostando dela. Mas você fica absorto nela, porque é tão violenta e desperta coisas tão estranhas por dentro... Acho que isso confunde um pouco as pesquisas de audiência, que indicam que as pessoas gostam de ver porcaria, violência. Isso é uma cobra comendo o rabo.

Liloye Boubli: A entrada de novos canais, a difusão da TV a cabo, a comunicação por meio da Internet, do celular, podem levar a televisão a ver que está perdendo espectadores, ao contrário de estar conquistando...
Carla Camurati: Mas isso ela já viu. E o que provavelmente ameaça a televisão é a relação com a possibilidade de alguma classificação indicativa de censura, exatamente porque, de alguma maneira, ela já sofre um pequeno abalo e uma perda. As televisões abertas já perderam um pouco, embora seja muito difícil o cabo dar certo no País, porque envolve questão financeira e também de língua.

Marcya Reis: Carla, para concluirmos: eu sei que você tem um filho pequeno e eu quero saber qual o Brasil que você quer para ele.
Carla Camurati: Eu estava grávida quando o Governo Lula começou. Eu estava assistindo ao Lula chegar — só de falar isso já me dá vontade de chorar —, e era tão lindo ver a transformação que o País ia sofrer. E eu dizia para o João: "Nossa, João, que emoção poder ver o nosso filho nascer em um momento de transformação do País!" Acho que era o desejo comum de todos. E acho que esse desejo, quando existe uma reeleição do Lula, de alguma maneira, prevalece. Agora, o Brasil que eu queria para o meu filho? Eu queria que a gente acordasse mesmo, sabe? Eu queria que a gente conseguisse minimamente ter a consciência de que não tem político que vai resolver se a gente não pressionar, que não tem Presidente da República, que não existe força maior do que a sociedade querendo alguma coisa que não seja única e exclusivamente o seu benefício. E isso tem que ser um pacto comum. As pessoas tinham que entender. O mínimo que eu queria é que a gente tivesse um equilíbrio e que a gente desse chance às pessoas, que a gente parasse de desperdiçar o material humano que existe em nosso País.

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