Debate discutiu desigualdade racial no mercado de trabalho
30/01/2007 - 12:31
A Comissão de Direitos Humanos e Minorias realizou, em julho, audiência pública para debater a desigualdade racial no mercado de trabalho, em especial o bancário. A iniciativa do vice-presidente da comissão, deputado Luiz Alberto (PT-BA), partiu dos inquéritos abertos pelo Ministério Público Federal para apurar essa desigualdade.
Segundo Luiz Alberto, o setor bancário é o que mais pratica atos discriminatórios de natureza racial. "A constatação é que, desde a admissão, passando pelos critérios de ascensão funcional e remuneração, a desigualdade racial tem prevalecido", destaca o deputado.
A audiência contou com a participação do ministro Carlos Alberto Reis de Paula, do Tribunal Superior do Trabalho (TST); do vice-procurador do Ministério Público do Trabalho, Otávio Brito; do superintendente de Relações do Trabalho da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Magnus Ribas Apostólico; do presidente do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara), Humberto Adami; do diretor executivo da Ong Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro), Frei David; da diretora-executiva da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Neide Aparecida Fonseca; e do professor Luiz Chateaubriand Cavalcanti dos Santos, da Faculdade Delta da Bahia.
Para o presidente da comissão, deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), a desigualdade racial no mercado de trabalho ficou comprovada pelos depoimentos e estatísticas apresentados. "São irrefutáveis os dados apresentados pelo ministro Carlos Alberto de Paula e pela diretora Neyde Fonseca: os negros têm muito mais dificuldade de serem admitidos e sofrem considerável diferença de remuneração nos bancos", concluiu Greenhalgh.
Além disso, o Educafro apresentou pesquisa realizada no Distrito Federal pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), apontando profunda distância entre negros e brancos empregados no setor bancário.
Greenhalgh explicou que o resultado prático da audiência foi a constituição de um Grupo de Trabalho da comissão, que realizou uma série de encontros com a Febraban, com entidades do movimento negro, com o Ministério Público do Trabalho e com o movimento sindical, com o objetivo de promover a inclusão de negros no mercado de trabalho bancário.
O processo de diálogo levou a Febraban a assumir o compromisso de elaborar, com a ajuda do movimento sindical dos bancários, um Mapa da Diversidade no setor. A partir desse estudo, o objetivo é chegar ao Pacto da Diversidade, pelo qual o setor bancário deverá criar oportunidades de trabalho para pessoas negras na medida da proporção dessa etnia no mercado de trabalho.
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Edição - Regina Céli Assumpção
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