Fruet recebe o apoio oficial do PSDB para eleição
23/01/2007 - 19:26
Em reunião na tarde desta terça-feira, a bancada do PSDB decidiu por unanimidade e aclamação, conforme o deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP), apoiar o candidato do partido, Gustavo Fruet (PR), na eleição para a Presidência da Câmara, que ocorrerá no dia 1º de fevereiro. No encontro, que contou com a presença de 51 deputados, Pannunzio foi escolhido novo líder do partido na Casa, cargo até então ocupado pelo deputado Jutahy Junior (BA).
No último dia 11, Jutahy Junior havia anunciado o apoio do PSDB à candidatura do líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), mas vários parlamentares e lideranças do partido, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, reagiram negativamente à decisão. No dia 16, Gustavo Fruet foi escolhido candidato do grupo da terceira via, para concorrer com Chinaglia e com o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP). O PSDB decidiu então fazer uma reunião para definir se manteria o apoio a Chinaglia ou ficaria ao lado de Fruet.
Após receber o apoio oficial do partido, o tucano declarou que sua candidatura não é de oposição ao governo federal. "Se eleito, a relação da Câmara com o Planalto será de respeito, mas com independência e autonomia", afirmou. O deputado acrescentou que sua eleição trará o menor custo político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, porque não irá discutir cargos no governo, e sim propostas para o País.
Propostas
Se eleito, o deputado prometeu colocar em discussão reformas, como a tributária e a política, e principalmente o processo de tramitação de medidas provisórias. Ele ressaltou que, no ano passado, 70% dos projetos aprovados no Congresso foram apresentados pelo Poder Executivo. "Isso é um desvirtuamento do sistema político brasileiro. Temos que inverter essa situação."
Quanto ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), apresentado ontem pelo governo, e que tem 12 ações dependentes de decisão do Congresso, Fruet disse que estará aberto ao diálogo, mas sem perder a visão crítica. "O PAC consolida projetos importantes em andamento, inclusive de governos anteriores, merece ser analisado e criticado. O que depender de decisão legislativa vamos colocar em votação", prometeu o candidato.
Imprevisibilidade
Fruet disse ainda que sua candidatura trouxe nova dinâmica à disputa pela Presidência da Câmara. "Há uma semana a eleição estava decidida. Agora temos imprevisibilidade e haverá segundo turno." O candidato do PSDB reforçou que, desde o início, não se tratava de uma candidatura para marcar posição, mas de uma opção viável.
De acordo com ele, a maior mudança imposta por sua entrada na disputa foi obrigar os demais candidatos ao "diálogo de idéias". "Enquanto eles são os candidatos do governo, eu sou o candidato da Câmara. Eles querem discutir o aumento de 90% para os salários dos deputados, eu quero discutir o que é melhor para o Brasil", declarou Fruet.
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Reportagem - Maria Neves e José Carlos Oliveira
Edição - Marcos Rossi
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