Controlador nega greve, mas avisa que atrasos continuarão

19/12/2006 - 21:55  

O diretor-regional do Sindicato Nacional dos Trabalhadores na Proteção ao Vôo, Francisco José da Silva, afirmou nesta terça-feira que não haverá greve dos controladores de tráfego aéreo neste fim de ano. Ele também desmentiu os boatos de uma possível paralisação no próximo sábado.

"Não haverá greve de controladores no Natal, nem no ano-novo, nem na posse do presidente. Estamos fazendo nossa parte, mas vamos continuar trabalhando dentro das mais estritas normas de segurança", disse ele, em audiência pública realizada pela comissão externa que acompanha a crise no setor aéreo.

Porém, o sindicalista avalia que os atuais problemas, como os atrasos e os cancelamentos de vôos, devem durar pelo menos mais um ano. Segundo ele, há gestão ultrapassada do setor, especialmente no que diz respeito à formação de pessoal suficiente para o controle de tráfego aéreo. "Não é possível uma solução a curto prazo porque o principal problema é a falta de recursos humanos", aifrmou.

Remuneração
Já o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Sérgio Silveira Zuanazzi, disse que a baixa remuneração do serviço público provoca a fuga de técnicos, inclusive de controladores de vôo.

O representante do Comando da Aeronáutica, major-brigadeiro-do-ar Ramón Borges Cardoso, informou que a remuneração líquida de um controlador de vôo civil varia entre R$ 3 mil e R$ 3,2 mil por 120 horas de trabalho por mês, ao passo que o controlador de vôo militar ganha de R$ 1,5 mil a 3,5 mil por até 156 horas mensais. "Precisamos fazer com que o controlador de vôo que a Aeronáutica leva dois anos para formar não deixe o setor", disse Zuanazzi.

Por sua vez, o presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), José Carlos Pereira, disse que a empresa dispõe de 490 controladores em 20 dos 67 aeroportos que administra. Esses técnicos monitoram aviões em baixa altitude em procedimentos de decolagem e de pouso. "Há falta de pessoal na Infraero, mas não uma falta que implique risco à segurança."

Sem reservas
Ramón Cardoso afirmou que o problema se repete na Aeronáutica. "Estamos como um time de futebol: quando um dos onze titulares se machuca, não temos o reserva", comparou.

Dos 60 controladores de vôo contratados por concurso recentemente, "entre 15 e 20" estão trabalhando, segundo ele. Os demais só estarão preparados no fim de fevereiro. A Aeronáutica, de acordo com o major-brigadeiro-do-ar, intensificou a formação de controladores na escola de especialistas de Guaratinguetá (SP), e espera formar cerca de 320 deles até 2008.

O presidente da Confederação Nacional dos Usuários de Transportes Coletivos Rodoviário, Ferroviário, Hidroviário e Aéreo (Conut), José Felinto, disse que a Resolução 15 de 2003, do Ministério da Defesa, já previa a necessidade de treinamento de pessoal para controle de tráfego aéreo.

A partir de 2003, segundo ele, houve a redução da separação vertical das aeronaves de 2 mil para mil pés. Felinto diz que isso significou a duplicação do número de rotas possíveis, mas o número de controladores de vôo permaneceu o mesmo. "Se os treinamentos previstos tivessem ocorrido, essa crise que humilha e massacra o usuário jamais teria acontecido", ressaltou.

Relatório
O presidente da comissão externa, deputado Alceu Collares (PDT-RS), prometeu para esta quarta-feira a apresentação e a votação do relatório do deputado Carlos Willian (PTC-MG). De acordo com Collares, é preciso haver um relatório antes do fim desta legislatura, pois caso contrário uma nova comissão teria de ser formada em 2007 e o trabalho feito até agora poderia ser perdido.

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Edição - Francisco Brandão

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