Tráfego aéreo só será normalizado em 2007, diz Anac

13/12/2006 - 20:37  

A situação dos aeroportos brasileiros deve ser normalizada somente em 2007. A previsão é do diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, que participou de audiência pública promovida nesta quarta-feira pelas comissões de Defesa do Consumidor; e de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Também presente à audiência, o ministro da Defesa, Waldir Pires, negou que tenha havido corte de recursos orçamentários para a aviação nos últimos três anos e disse que uma comissão representativa do setor aéreo deve apresentar nos próximos 30 dias sugestões de mudanças para aprimorar o controle de tráfego aéreo no País.

De acordo com Zuanazzi, as medidas tomadas até o momento para contornar a crise aérea no Brasil serão suficientes para garantir um fim de ano bom, mas não o ideal. "No decorrer da entrada do ano que vem vamos chegar ao ponto que consideramos ser o ideal para o controle do espaço e para a prestação do serviço aos usuários", afirmou.

Zuanazzi explicou que possíveis atrasos durante o período de festas não se darão pelo aumento no número de aeronaves circulando, mas por uma maior quantidade de passageiros nos aeroportos.

Sem operação padrão
Da parte dos controladores de vôo, a expectativa é de que também não haja grandes problemas. O tenente-brigadeiro comandante da Aeronáutica, Luiz Carlos da Silva Bueno, que também participou da audiência pública, descartou a possibilidade de uma operação padrão neste fim de ano. "Não tem nenhuma ameaça, estão espalhando uma onda que não existe. Não há ameaça nem dos controladores, nem de ninguém, nem de falha de equipamento para o final do ano", ressaltou.

Durante a audiência, Bueno explicou que uma série de medidas vem sendo tomada para superar a crise no setor aéreo. Uma delas é a descentralização das atividades, até o momento concentradas no Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta-1), que hoje gerencia cerca de 80% dos vôos. Segundo o comandante, estão sendo montados, ainda, equipamentos reservas nos Cindactas de Brasília, Curitiba e Recife.

Principais medidas
O ministro da Defesa, Waldir Pires, explicou as principais medidas adotadas desde a queda do Boeing da Gol, em 29 de setembro, que acabou deflagrando a crise no setor. A primeira foi a contratação emergencial de todos os controladores de vôo aposentados. Esses profissionais, segundo o ministro, estão sendo treinados e fazendo cursos de reciclagem. A segunda medida foi a abertura de concurso público para a contratação de novos controladores, o que constituiria uma solução definitiva do problema.

Além disso, Waldir Pires lembrou que vários profissionais foram remanejados para Brasília, que hoje tem grande responsabilidade no sistema de controle de tráfego aéreo do País. A quarta medida já adotada foi a ampliação da capacidade de formação de controladores de vôo pelas escolas paulistas de Guaratinguetá e São José dos Campos. "Absorvemos a lição de que não é possível ter poucos controladores de vôo e não ter reserva, ainda que custe caro", disse o ministro.

A audiência pública sobre a crise aérea no País ainda contou com a presença de representantes dos sindicatos dos trabalhadores na proteção ao vôo, dos aeronautas e das empresas aéreas, além do presidente da Infraero, José Carlos Pereira.

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Reportagem - Ana Raquel Macedo e Mônica Montenegro
Edição - Marcos Rossi

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