Lorenzetti nega acordo financeiro para comprar dossiê

21/11/2006 - 23:22  

Em depoimento nesta terça-feira à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Sanguessugas, o ex-chefe do Núcleo de Informações e Inteligência da campanha à reeleição do presidente Lula, Jorge Lorenzetti, afirmou que não pretendia pagar ao empresário Luiz Antônio Vedoin, proprietário da Planam, pelas informações que envolveriam políticos do PSDB na "máfia das ambulâncias". "O escândalo do esquema fraudulento estava sendo debitado ao governo Lula. Nosso interesse pelas informações da família Vedoin era para comprovar que cerca de 75% dos crimes da Planam foram cometidos no governo anterior", disse Lorenzetti.

Ele declarou que prometeu a Vedoin apenas "apoio jurídico" para reforçar a defesa do empresário nos processos que correm contra ele, apesar do interesse explícito do empresário em receber dinheiro em troca das informações. De acordo com Lorenzetti, a Polícia Federal foi precipitada nas conclusões iniciais sobre sua participação no episódio.

Lorenzetti afirmou ainda que nunca conversou com o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), então presidente do PT e coordenador da campanha, sobre as negociações a respeito do dossiê. Ele confirmou que os contatos com os Vedoin foram intermediados pelo petista Valdebran Padilha e que participaram das negociações o ex-diretor de risco do Banco do Brasil Expedito Veloso; o ex-secretário executivo do Ministério do Trabalho Oswaldo Bargas; o ex-coordenador de Comunicação da campanha do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ao governo paulista, Hamilton Lacerda; e o ex-policial federal Gedimar Passos.

Passos deveria ter prestado depoimento nesta terça-feira à CPMI, mas alegou problemas de saúde para não comparecer. A expectativa é de que compareça na próxima terça-feira (28). Caso contrário, a CPMI vai acionar a Polícia Federal para obrigar Passos a depor. Ele e Valdebran Padilha foram presos em 15 de setembro, em São Paulo, com cerca de R$ 1,7 milhão que seria utilizado para a compra do dossiê.

A CPMI volta a reunir-se nesta quarta-feira (22), às 10 horas, para ouvir os depoimentos de Osvaldo Bargas e de Expedito Veloso, na sala 6 da ala Senador Nilo Coelho, no Senado.

Dossiê "consistente"
Embora não tenha tido acesso ao dossiê dos Vedoin, Lorenzetti disse que Expedito Veloso e Gedimar Passos viram o conteúdo das informações e afirmaram que elas eram "consistentes". Entre os documentos, segundo Lorenzetti, constavam 15 cheques no valor total de R$ 600 mil destinados ao empresário Abel Pereira, suposto contato dos tucanos com a "máfia das ambulâncias". Essa quantia, alega Lorenzetti, seria para pagar contas da campanha presidencial de José Serra (PSDB) em 2002. Haveria ainda fitas de vídeo que mostrariam reuniões entre os Vedoin e Serra, além de extratos bancários que demonstrariam o envolvimento de prefeituras no esquema fraudulento.

Diante disso, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) questionou por que a CPMI não tem acesso a toda essa documentação, e os relatores da CPMI confirmaram que não receberam o material.

O depoente também disse que negociou com as revistas Época e Istoé a divulgação das informações do dossiê. Ele disse ainda que "extrapolou suas atribuições" ao prometer apoio jurídico aos Vedoin, e que se tratou de uma decisão pessoal. "Foi um risco meu", garantiu. Além disso, negou ter sido expulso do PT. Ele afirmou que pediu sua desfiliação e decidiu sair da campanha.

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Reportagem - Newton Araújo Jr.
Edição - Marcos Rossi

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