Sessão solene lembra primeiro vôo do 14 Bis
19/10/2006 - 18:03
O centenário do primeiro vôo do 14 Bis, invenção de Alberto Santos Dumont, o Pai da Aviação, foi homenageado em sessão solene na Câmara nesta quinta-feira. Segundo o presidente Aldo Rebelo, esse acontecimento teve profundo significado histórico e sociológico para o povo brasileiro.
"Quando o País ainda não havia se libertado das teorias racistas do século XIX, e quando todos achavam que deveríamos buscar o embranquecimento com a presença européia, Santos Dumont, um típico brasileiro, assombrou o mundo com sua invenção. Ele nos mostrou que não éramos uma raça condenada ao fracasso", disse Aldo.
O presidente da Câmara acrescentou que o fato de o avião ter sido inventado por um brasileiro tem um sentido permanente. Na avaliação dele, "foi exatamente inspirados na perseverança, na ousadia e no otimismo de Santos Dumont que produzimos ao longo dos anos 20 e 30 as obras de Sociologia e de História que nos retiraram o complexo de inferioridade e mostraram que uma Nação mestiça pode constituir um processo civilizatório exemplar para o mundo".
Capacidade de criação
De acordo com um dos autores do pedido de realização da sessão solene, o deputado Marcelo Ortiz (PV-SP), "registrar o centenário do vôo do 14 Bis é celebrar a memória de um brasileiro que estimula nossa capacidade criadora e exprime o que de melhor somos capazes de produzir". Segundo ele, pouco importa que Santos Dumont tenha vivido grande parte de sua vida no exterior. "Onde quer que estivesse, jamais negou sua origem brasileira e nunca escondeu os mais profundos sentimentos que o ligavam à terra natal", assegurou.
Para o deputado Inácio Arruda (PCdoB-CE), a invenção de Santos Dumont aumenta a responsabilidade do Brasil no cenário político, econômico e social do mundo de hoje. "Há uma exigência para que o nosso País seja integrado ao mundo, mas que possa caminhar com seu próprio projeto", avaliou. De acordo com ele, o inventor foi um exemplo de que "o povo brasileiro é inteligente, pode desenvolver ciência, pode construir".
História
Quando realizou o primeiro vôo do 14 Bis, em 23 de outubro de 1906, Santos Dumont tinha 33 anos. Nascido no município de Barbacena, em Minas Gerais, o inventor vivia desde os 18 em Paris, onde empreendeu os esforços para realizar o sonho de voar - que, de acordo com Marcelo Ortiz, acalentava desde os 15 anos.
Marco constituinte da história da aviação, o planador de Santos Dumont era uma engenhoca apelidada pela imprensa parisiense de "ave de rapina". Tratava-se de um longo planador com duas asas em forma de caixa, fixadas a uma trave de pinho e presas por cordas de piano. O motor era movido a petróleo, mesmo combustível usado nos automóveis. A invenção decolou sem problemas, a uma altura de 3 metros, e percorreu uma extensão de 15 metros pilotada por seu criador.
Em 1898, Santos Dumont já havia construído seis balões dirigíveis - que foram batizados sucessivamente como Balão 1, 2, 3, 4, 5, 6. O 14 Bis recebeu tal nome porque utilizou o Balão 14 para testes de estabilidade de vôo.
Entusiasmado com as possibilidades de integração da humanidade que o avião possibilitaria, Santos Dumont costumava, segundo Aldo, chamá-lo de carruagem da paz. Sua utilização como instrumento de guerra, portanto, teria causado ao brasileiro profundo desencanto. Tanto que ele decidiu voltar ao Brasil para passar seus últimos anos de vida. Nesse período, chegou a ser eleito para a Academia Brasileira de Letras, mas não assumiu o posto. Morreu antes, aos 59 anos, em 23 de julho de 1932, em Guarujá (SP).
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