Conheça a acusação contra Laura Carneiro e sua defesa
17/10/2006 - 10:40
Acusação:
Os empresários Luiz Antônio Vedoin, Darci Vedoin e Ronildo Medeiros afirmaram em depoimentos à Justiça Federal e à CPMI das Sanguessugas que nunca trabalharam com a deputada Laura Carneiro (PFL-RJ) no esquema fraudulento de compra de ambulâncias. Entretanto, o nome da deputada e de supostos assessores dela são mencionados em conversas telefônicas dos integrantes da máfia, gravadas pela Polícia Federal.
Reinquirido pela CPMI, Ronildo Medeiros afirma que ele e Luiz Antônio haviam acertado com a parlamentar, por meio de sua assessora Jane Cleide Herculano de Siqueira, o pagamento de 10% de comissão sobre os valores direcionados para a área de saúde, na aquisição de equipamentos médico-hospitalares.
Com base nesse depoimento, o relatório da CPMI diz que, a título de antecipação, os dois teriam entregue R$ 10 mil à assessora Jane no primeiro semestre de 2006. Ainda segundo o relatório, em 30 de março de 2006, Ivo Marcelo, genro de Darci Vedoin, recebeu em sua conta corrente na Caixa um depósito das empresas de Ronildo no valor de R$ 10 mil, supostamente para repassar a Jane. Diz a CPMI: "Foi o próprio Ivo que sacou o dinheiro e o entregou à assessora". Em seguida, a CPMI afirma que, no dia 13 de abril de 2006, "foi realizado um depósito em favor da assessora Jane, no valor de R$ 5 mil".
Nas gravações, algumas emendas vinculadas ao esquema são atribuídas à deputada. Nas conversas, também é citado o nome de Carlos Augusto Haassis Neto, chamado Guto, que, segundo a comissão, "provavelmente" trabalhava para a deputada. Os diálogos, segundo a comissão, evidenciam "uma relação de paga" entre Luiz Antônio e Guto.
Defesa: Da Redação/NN
Na defesa apresentada ao Conselho de Ética, Laura Carneiro afirma que a representação não atribui a ela nenhuma responsabilidade clara. A deputada acredita que seu nome tenha ido ao conselho por força de adversários políticos, pois inicialmente ela estava entre os deputados contra os quais não havia provas.
A parlamentar disse ainda que Guto nunca foi seu assessor. Ela o conheceu em 1998 e ele trabalhou voluntariamente em suas campanhas de 1998 e 2002. A partir do fim de 2005, ele passou a freqüentar o gabinete da parlamentar, onde fazia chamadas telefônicas de seu interesse. "Jamais a acusada imaginou que Carlos Augusto pudesse envolvê-la em esquema ilegal", diz a defesa.
Por outro lado, o depoimento de Ronildo Medeiros é falso, segundo Laura Carneiro. Para 2006, a deputada disse ter realizado apenas quatro emendas em benefício de municípios que não se encontram entre os que possuíam ligações com o grupo de Vedoin. A acusada apresentou ainda à CPMI os extratos das contas da assessora Jane Cleide, demonstrando não haver nenhum depósito proveniente de empresa ligada ao esquema.
A defesa pede que seja reconhecida a inépcia da representação e, consequentemente, a absolvição da deputada.
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