Como é a fidelidade partidária nos EUA, França e Alemanha
26/09/2006 - 19:26
A fidelidade partidária segue regras diferentes nos Estados Unidos, na Alemanha e na França. No estudo sobre esse tema, o consultor Lúcio Reiner aponta a divisão do poder político nos Estados Unidos entre dois partidos, o Republicano e o Democrata. Os democratas do sul tendem a votar, em certas matérias sobre organização social, junto com os republicanos; a bancada destes, por sua vez, costuma votar junto com os democratas em temas econômicos.
Esses temas seriam apartidários, constituindo-se exceção à regra de fidelidade, que, em geral, é muito forte naquele país. O político que mudasse de agremiação seria considerado pouco confiável. Conseqüência disso é a alta taxa de reeleição dos políticos norte-americanos (entre 60% e 80%). Assim, pode-se afirmar que a consolidação dos partidos políticos e a identificação dos eleitores com estes provocaram uma fidelidade partidária de fato, que é "recompensada" por altas taxas de reeleição.
Comprometimento
Na Alemanha, a situação é diferente, por se tratar de um sistema parlamentar de governo. Além disso, é uma democracia recente, surgida após a 2ª Guerra Mundial. A Lei dos Partidos Políticos daquele país especifica o conceito de partido, sua organização, apresentação de candidatos, financiamento e prestação de contas. Na prática, observa-se um profundo comprometimento dos políticos com sua agremiação. Na Alemanha, dois grandes partidos (a Social-Democracia e a Democracia Cristã) têm governado alternadamente mediante coalizões com partidos menores, como o Liberal ou os verdes.
Os políticos das duas principais legendas não trocam de sigla, pois as opções que representam são pouco compatíveis e, em conseqüência, torna-se difícil explicar ao eleitor a reviravolta ocorrida. O sistema eleitoral institui o voto distrital misto, que possibilita maior contato do parlamentar com as suas bases e permite representação dos candidatos com projeção nacional. O sistema restringe também a representação parlamentar de partidos pequenos (é exigido um mínimo de 5% dos votos nacionais para ser representado), facilitando as coligações que garantem estabilidade ao governo.
Sistema misto Reportagem – Rodrigo Bittar
Na França, existe um sistema parlamentarista híbrido, pois o presidente da República, eleito em eleições majoritárias diretas em até dois turnos para mandato de sete anos (o mandato de deputado é de quatro anos), possui atribuições importantes como a condução da política externa. A lei francesa não estipula fidelidade partidária, deixando-a a cargo dos partidos políticos. Os políticos franceses, entretanto, não mudam de legenda a não ser em caso de fusão, incorporação ou criação de novo partido. Assim, existe uma fidelidade ligada a princípios e a programas de governo. Os partidos franceses também são marcados ideologicamente, o que compromete os eleitos. Torna-se particularmente difícil, nesse contexto, explicar mudanças de legenda aos eleitores.
Edição – Wilson Silveira
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