Maioria das projeções aponta que PMDB terá maior bancada

22/09/2006 - 19:31  

Três das quatro projeções apontam que o PMDB será a maior bancada da Câmara na próxima legislatura. No levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a legenda deve ocupar entre 86 e 112 cadeiras. Para a consultoria Arko Advice, de 80 a 100. O professor da Universidade de Brasília (UnB) David Fleischer prevê de 90 a 95. Somente o Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) registra queda, com previsão de 56 parlamentares peemedebistas. Hoje, o partido tem 78 representantes na Câmara. Em 2002, tinha 75.
As conseqüências no equilíbrio político do País podem ser grandes. Para o cientista político Cristiano Noronha, da Arko, o poder de pressão sobre o presidente da República cresce muito e, caso o partido entre no governo, tenderá a aumentar ainda mais. Para analista político Antonio Queiroz, do Diap, a nova legislatura marcará também o fim da cisão interna do PMDB.
Ele explica que a principal oposição ao governo dentro do partido, no caso da reeleição de Lula, seria o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), que hoje integra a coligação que apóia o PT na Bahia. "O PMDB vai de porteira fechada para o governo", disse. Para Fleischer, isso poderia acontecer caso o partido conte com um número expressivo de ministérios, por volta de sete, com controle total sobre eles. "Isso facilita muito em matéria de criação de políticas públicas, liberação de verbas, nomeações, etc", explica.

Presidências
O risco de ficar refém do PMDB pode fazer com que Lula busque outras forças em que se apoiar, acredita Fleischer. O nome que surgiria, em sua opinião, poderia ser o do atual governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que também disputa a reeleição. Para o professor, Aécio sabe que seu partido é dominado por políticos paulistas, que tendem a apoiar o atual candidato ao governo de São Paulo, José Serra, para a presidência em 2010. Isso o levaria a migrar para outra legenda ou a criar um novo partido para viabilizar sua candidatura.
O professor da UnB afirma ainda que o PMDB também pode alcançar a maioria no Senado, onde tem disputado cadeira a cadeira com o PFL e o PSDB. Caso isso ocorra, afirmou, pode ser que o partido ocupe a presidência das duas Casas. Ele adverte que tradicionalmente isso não ocorre, mas já ocorreu e pode se repetir, até porque o atual presidente do Senado, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), teria a ambição de se reeleger.

Panorama nacional
Para o cientista político do Iuperj Fabiano Santos, porém, o PMDB tem perdido expressão nacional, e isso tende a se manter. O pesquisador explica que a diferença entre os resultados dos levantamentos se deve a uma questão metodológica. Segundo ele, suas projeções levam em conta o panorama nacional.
Santos afirmou que o levantamento analisa duas tendências. A primeira é a quantidade de votos recebidos em eleições anteriores. Outro é a existência ou não de um candidato à Presidência em uma boa posição. "Um candidato competitivo e forte beneficia o partido", avalia. O levantamento, destacou, considera sobretudo o âmbito nacional, no qual, conforme sua avaliação, o PMDB vem minguando e o PT, primeiro colocado em seu levantamento, vem ascendendo.
Santos cogita que os outros levantamentos tenham considerado mais o aspecto estadual, no qual o PMDB ainda tem muita força. Como sua projeção estuda a evolução ao longo do tempo, essa tendência estadual já estaria considerada em seus cálculos. Para Fleischer, o problema em considerar o presidente Lula como um elemento puxador de votos para o PT reside em que o partido estaria "completamente descolado de Lula".

Reportagem - Vania Alves
Edição - Francisco Brandão

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