Raquel Dodge denuncia propósitos “totalitário e supremacista” da desinformação
Para ela, no território virtual, a desinformação tem sido utilizada para corroer as entranhas que sustentam a democracia
29/06/2022 - 21:10

A ex-procuradora-geral da República, Raquel Dodge, fez discurso veemente contra as fake news e o processo de desinformação em curso sobretudo nos meios digitais. Dodge participou, nesta quarta-feira (29), de seminário das comissões de Direitos Humanos e de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados para debater os impactos da desinformação e da violência política para a democracia.
“A desinformação é um grande risco para a democracia. E como a democracia é uma escolha da nossa Constituição feita lá em 1988, de forma bastante clara, a desinformação é um ato inconstitucional”, disse Raquel Dodge.
Atualmente no cargo de subprocuradora-geral no Ministério Público Federal, Raquel Dodge traçou um resumo histórico da democracia, que superou o nazismo, o fascismo e o totalitarismo ao longo das guerras do século passado. Ela lembra que, neste período, prevaleceram as nações que reconhecem o pluralismo, a imprensa livre, a proteção dos direitos das minorias e a intermediação política via representantes eleitos pelo povo.
Ambientes virtuais
Já neste século 21, Raquel Dodge identifica o embate da desinformação contra a democracia, travada agora em ambientes virtuais. Para ela, no território virtual, a desinformação tem sido utilizada para corroer as entranhas que sustentam a democracia.
“A nova desinformação é muito diferente do boato, do rumor e da mentira. A grande diferença está no uso estratégico da tecnologia da informação, no desprezo pela democracia e no propósito de conquistar o poder de modo totalitário e supremacista. Tornou-se um negócio”, afirma.
Segundo ela, hoje algoritmos sofisticados definem conteúdo e alvo, operam sob base de dados personalíssimos, conquistam a atenção dos eleitores e interferem na formação de sua vontade para conquistar maioria de votos e poder.
A ex-procuradora-geral da República aposta que as “barricadas” contra a desinformação estão na imprensa livre, na democracia representativa e no sistema eleitoral “hígido”. “Virá das instituições da própria democracia – livres, independentes e coesas – a solução que a defenderá do impacto da desinformação.”
Diretor-executivo do Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos do Mercosul (IPPDH), o deputado argentino Remo Carlotto defendeu uma “agenda comum” para a superação da violência política nos países que compõem o bloco regional. Ele defende, inclusive, a reforma dos códigos de processo penal para aperfeiçoar a investigação sobre perseguição e desaparecimento de pessoas.
Para Carlotto, a sanção exemplar evita a repetição de crimes e garante reparação às vítimas e resposta a práticas criminosas de agentes do Estado.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Rachel Librelon