Líder da Minoria diz que crise é apartidária

22/08/2006 - 17:28  

O líder da Minoria, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), afirmou no Plenário que a crise política provocada pela compra irregular de ambulâncias e ônibus é mais profunda do que se poderia supor inicialmente. O parlamentar citou, entre os casos investigados, a liberação da compra de ônibus pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. "A Finep, a fina flor da ciência no País, foi iludida, aprovou convênios com instituições que não existem. Mas não foram apenas funcionários, parlamentares estiveram no ministério para pedir a compra desses ônibus, e o governo não tomou o cuidado de investigar, no mínimo, se estava repassando dinheiro a instituições que não existem", criticou.

Sistema corrompido
Para Aleluia, a crise é grave porque atinge o Executivo e o Congresso Nacional. "O Senado está tão ou mais comprometido que a Câmara, porque lá os processos ainda nem foram enviados ao Conselho de Ética", avaliou. Na opinião do líder, o atual sistema eleitoral está corrompido. "Não podemos continuar trabalhando com esse financiamento difuso e com esses gastos abusivos. A situação é gravíssima, ainda mais quando parece haver parlamentares fazendo ameaças por meio de dossiês. Ninguém pode ter medo de dossiês. Político que teme dossiê tem de abandonar a política. Quem tem medo de dossiê tem de renunciar", afirmou.
José Carlos Aleluia ressaltou ainda que todos querem mudar o quadro atual, independentemente de partidos. "Não se trata de questão partidária, mas, sim, de poder entrar num elevador ou num ônibus e dizer: eu sou deputado e não tenho vergonha de sê-lo. Essa é a questão".
Os parlamentares suspenderam o debate sobre o voto secreto, no plenário Ulysses Guimarães, para se encontrarem com o presidente Aldo Rebelo.

Reportagem – Adriana Resende
Edição - Rosalva Nunes

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