Entidades e Febraban debaterão ações afirmativas em bancos
04/07/2006 - 18:04
No encerramento da audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, o deputado Luiz Alberto (PT-BA) anunciou que as mesmas entidades presentes vão reunir-se com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em 9 de agosto, para discutir propostas de ação afirmativa contra a discriminação na contratação de negros para trabalhar em bancos.
O superintendente de Relações do Trabalho da Febraban, Magnus Ribas Apostólico, declarou que a federação está aberta para dialogar e aprender a resolver o problema da inclusão do negro no mercado de trabalho. No entanto, ele reclamou das várias ações do Ministério Público do Trabalho para promover ações afirmativas em bancos. Para ele, a intenção é dar visibilidade à luta dos negros. "Os bancos são alvo circunstancial", avalia.
Apostólico insistiu que o sistema de contratação interna e externa dos bancos é transparente. "Grandes organizações decidem sobre processos e não pessoas", comentou. O vice-procurador do Ministério Público do Trabalho, Otávio Brito, respondeu que o órgão vai entrar com recurso nas ações para aumentar a contratação de negros nessas instituições.
Discriminação
A diretora-executiva da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Neide Aparecida Fonseca, acusou os bancos de praticar a discriminação racial. A diretora citou caso em que ela mesma foi desaconselhada por seu gerente a prestar concurso interno para um cargo superior na Nossa Caixa. "Mas o negro é discriminado em todos os setores", garantiu.
O professor da Faculdade Delta da Bahia Luiz Chateubriand Cavalcanti dos Santos concordou que a discriminação racial é uma realidade no mercado de trabalho nacional. "A porcentagem de negros entre os desempregados é maior em todo o Brasil", avaliou.
Culpa das elites Reportagem - Newton Araújo Jr.
O diretor-executivo do Educafro - Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes, frei David, citou documento da Organização das Nações Unidas (ONU) para afirmar que o problema racial do Brasil é culpa das elites. "Os tribunais brasileiros estão despreparados para julgar questões raciais", lamentou.
Já o presidente do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara), Humberto Adami, criticou manifestação de intelectuais de que o Brasil estaria importando o racismo norte-americano com as políticas afirmativas. "Ninguém reclama dos paradigmas norte-americanos quando nos referimos a políticas de desenvolvimento e livre mercado", reclamou.
Adami pediu que o Ministério Público também entre com representações contra desigualdade racial na Igreja, no Exército e no Itamaraty.
Edição - Francisco Brandão
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