MST atribui onda de violência ao modelo econômico
31/05/2006 - 21:35
O líder nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, atribuiu há pouco a recente onda de violência ocorrida no País à situação social gerada pelo modelo econômico neoliberal. Ele participa da 10ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, que se realiza na Câmara.
Stédile lembrou que o número de presos tem aumentado em todo o Brasil, especialmente em estados como São Paulo e Rio Grande do Sul. "E isso evidentemente não é uma determinação genética dos paulistas e gaúchos", ironizou.
O dirigente do MST informou que até a cidade de Ribeirão Preto (SP), considerada como uma espécie de Califórnia brasileira por sua tranqüilidade, já apresenta estatísticas preocupantes quanto à segurança pública. Só entre pessoas originárias da área rural daquela cidade, segundo o líder do MST, já existem 17 mil presos.
Modelo alternativo
Stédile disse ainda que a tarefa de construir um modelo alternativo ao neoliberalismo e à globalização é do povo brasileiro, pois as elites industriais do País se aliaram ao capital estrangeiro. Ele também aplaudiu a demissão de Antonio Palocci do Ministério da Fazenda. Na opinião de Stédile, o ex-ministro "já foi embora tarde, pois o seu modelo econômico aprofundava a crise social".
A sessão de hoje da conferência foi encerrada há pouco pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Os debates prosseguem amanhã, a partir das 9 horas, com painéis simultâneos realizados em diferentes plenários da Câmara. Reportagem - Paulo Roberto Miranda
Edição - Rejane Oliveira
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