CPI conclui que advogados são integrantes do PCC
25/05/2006 - 20:12
O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Armas, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), disse nesta quinta-feira, depois da acareação entre os advogados Sérgio Weslei da Cunha e Maria Cristina Rachado e o ex-prestador de serviços à Câmara por meio de empresa terceirizada Artur Vinícius Pilastre Silva, que os advogados atuam como verdadeiros integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com Moroni Torgan, após horas de depoimentos cheios de contradições, o que mais chamou a atenção foi a frieza dos advogados quando se recordou as mortes recentes ocorridas por ordem do PCC. O deputado disse que essa frieza é típica de quem faz parte da organização. "Não temos mais nenhuma dúvida do envolvimento deles com o crime organizado. Eu espero que o Judiciário também não tenha essa dúvida e decrete a prisão preventiva imediatamente", afirmou.
Torgan lembrou que já foram feitos os pedidos de prisão preventiva de ambos e que isso precisa ocorrer logo. Segundo o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), a Procuradoria Geral da República informou que o processo já está em fase final.
Sentenças
O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) afirmou que Sérgio Weslei e Maria Cristina fazem parte de um grupo de "pelo menos duas dezenas de advogados que trabalham regularmente para o PCC", na defesa de interesses criminosos. O parlamentar informou, ainda, que a CPI também fará um levantamento das sentenças judiciais envolvendo a organização e dos resultados favoráveis a ela, para verificar se há coincidências de sentenças favoráveis nas mesmas varas. A intenção é verificar se também há juízes envolvidos com o crime organizado.
Novas reuniões
Na próxima terça-feira (30), a CPI reúne-se com o Conselho Nacional de Justiça e, na quinta-feira (1º), com o Colégio de Presidentes de Tribunais de Justiça. Na quarta-feira (31), realiza reunião preparatória de uma audiência pública com os presidentes da OAB nacional, Roberto Busato, e paulista, Luiz Flávio Borges. De acordo com o deputado Neucimar Fraga (PL-ES), na primeira semana de junho será ouvido Marcos Camacho, o Marcola, acusado de ser o principal líder do PCC.
A CPI também pretende se reunir com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) nacional e de São Paulo para discutir a atuação de advogados no crime organizado.
Risco de morte
Raul Jungmann informou que o presidente da CPI, deputado Moroni Torgan, está ameaçado. A denúncia veio de uma pessoa ligada ao crime organizado que já depôs na CPI e hoje participa do programa de proteção a testemunhas. A informação chegou logo após o encerramento da acareação. A comissão se reuniu para discutir quais providência serão tomadas, mas Raul Jungmann reafirmou as declarações anteriores do presidente de que "a CPI não vai se intimidar".
Para Torgan, os incidentes durante a acareação, as diversas ocasiões em que os advogados caíram em contradição, mentiram e invocaram o direito de falar em juízo ou não responderam às questões são tentativas de intimidação "da CPI e da sociedade". Ele afirmou que isso não terá efeito. "Um Poder constituído não pode temer uma organização criminosa; tem de estar preparado para agir contra ela", declarou.
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Edição - Renata Tôrres
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