Aldo defende presença federal em São Paulo

15/05/2006 - 18:36  

O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, afirmou há pouco que o governo federal deve colocar à disposição de São Paulo todos os meios policiais e de inteligência para ajudar a reprimir a onda de violência que assola o estado há três dias. Os ataques são comandados pelo crime organizado.
"O governo federal deve pôr à disposição de São Paulo não apenas as forças policiais, mas o próprio Exército e também os organismos de inteligência", disse Aldo. "Ou há uma integração do aparelho policial, dos aparelhos de inteligência dos estados com todos esses dispositivos da União, em escala nacional, ou você não tem como enfrentar um crime que se organiza nacionalmente, a partir de um mercado nacional de drogas."
Aldo ressaltou ainda que o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, tem a responsabilidade e a capacidade de perceber o momento de lançar mão desse apoio. "Acho que, se ainda não solicitou, é por que não achou que o momento seja mais adequado."

Conversas
O presidente da Câmara disse ainda que manifestou sua preocupação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que conversou com o governador paulista, a quem declarou solidariedade.
Aldo também comentou um possível interesse político na escalada da violência. O interesse da população, no entanto, afirmou ele, "não conhece conveniências políticas". Cláudio Lembo; o presidente Lula; o candidato à Presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin; e outro candidato que concorra às eleições, na opinião de Aldo, têm a segurança pública como desafio comum. "O dever dos entes federativos é a busca de apoio mútuo no enfrentamento dessa violência. Aceitar a ajuda do governo federal não diminui de forma alguma o estado ou o governador que venha a aceitar esse apoio", afirmou.
O presidente da Câmara também já falou com o presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, deputado José Militão (PTB-MG), que amanhã tem uma reunião para debater esse assunto.

Legislação
Questionado sobre projetos que aguardam votação e sobre uma possível revisão no Código Penal, o presidente Aldo disse que a legislação vêm sendo constantemente aperfeiçoada. "O Congresso votou, nos últimos anos, uma série de leis que aperfeiçoam a legislação penal do País. Por conta dessa legislação é que os criminosos estão tendo não apenas as suas penas, mas também as condições do seu recolhimento às prisões com muito mais rigor, inclusive com crime diferenciado", afirmou.
Na avaliação do presidente da Câmara, essa legislação pode continuar sendo aperfeiçoada. "Há, inclusive, uma comissão de deputados e senadores encarregada de oferecer uma série de projetos que tenham prioridade nessa questão. Eu e o presidente Renan Calheiros [do Senado] devemos receber brevemente o resultado do trabalho dessa comissão."

Operação Sanguessuga
Aldo Rebelo também comentou a lista de deputados supostamente envolvidos na compra fraudulenta de ambulâncias, entregue à Polícia Federal pela ex-assessora do Ministério da Saúde Maria da Penha Lino. "A lista resultante do depoimento da senhora Maria da Penha foi recebida [pela Câmara] e está sob guarda da Corregedoria. Como não veio acompanhada de qualquer investigação, nem policial nem do Ministério Público, ela vai ficar sob a guarda do corregedor, deputado Ciro Nogueira (PP-PI), que acompanhará as investigações resultantes desse depoimento", explicou.
A Câmara, lembrou, deu início aos procedimentos relativos à lista que veio acompanhada de provas, gravações e transcrições de diálogos. "Mas, em relação à lista que não tem ainda nenhum procedimento fruto de investigação, cabe apenas esperar que a investigação seja feita e acompanhá-la", concluiu Aldo Rebelo.

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Reportagem - Idhelene Macedo/Rádio Câmara
Edição - Noéli Nobre

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