Sindicalista aponta distorção no cálculo de novos empregos

10/05/2006 - 13:06  

Durante a audiência pública que discute os impactos da política de juros e do câmbio para o setor exportador, o presidente da Força Sindical do Rio Grande do Sul, Cláudio Guimarães, disse que o número de novos empregos divulgados pelo Ministério do Trabalho decorrem da fiscalização e não representam postos reais de trabalho. Ou seja, os números que o ministério estaria divulgando como novos empregos seriam apenas postos de trabalho já existentes que estariam sendo regularizados. "O papel aceita tudo. Quem está criando esses empregos são os delegados regionais do Trabalho", denunciou Guimarães, que acusou ainda o governo federal de desempregar 500 mil pessoas com a política monetária.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Calçadistas de Teutônia (Siticalte), Roberto Müller, que também participa da audiência, disse que, em seus 25 anos como sapateiro, não se lembra de outra ocasião em que houve tanta angústia entre trabalhadores do setor por causa do desemprego iminente.
O secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Célio Brovino Porto, admitiu que os mecanismos de política agrícola do ministério têm se revelado insuficientes para reverter a crise do setor agroexportador brasileiro. "A questão cambial é fundamental", afirmou Porto ao explicar que a solução para a crise agrícola passa por medidas macroeconômicas.

A audiência, promovida pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, está sendo realizada no auditório Petrônio Portela, no Senado.

Reportagem - Edvaldo Fernandes
Edição - Natalia Doederlein

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