Para professor, argumentos contra cotas foram desmentidos
25/04/2006 - 13:04
O professor Valdélio Santos Silva, da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), disse que a reserva de vagas em universidades é o reconhecimento de que existe uma população discriminada socialmente por sua cor. Segundo ele, os três principais argumentos contrários à política de cotas já foram desmontados pelas experiências realizadas. O primeiro deles é de que não existe racismo institucionalizado no Brasil, como houve nos Estados Unidos ou na África do Sul. O professor lembrou que, nesse caso, não é necessária a formalização ou legalização do racismo para comprovar a sua existência.
Silva disse que o segundo argumento, de que o sistema de cotas rebaixaria o nível das universidades, também não se comprovou. Segundo ele, em muitos cursos a média das notas dos alunos que ingressaram por meio de cotas é superior à dos demais. A pontuação dos dois grupos no processo seletivo também é bastante equilibrada, segundo o professor.
Ele também rejeitou o argumento de que o vestibular é uma boa medida para avaliar os estudantes. Na opinião de Silva, o vestibular beneficia os alunos de escolas particulares e de cursos pré-vestibulares, que oferecem um "adestramento específico" para aprová-los nos concursos.
Valdélio Santos Silva ressaltou ainda que ninguém é obrigado a declarar sua identidade étnico-racial, mas considerou a autodeclaração uma forma de estimular os cidadãos a assumirem sua identidade negra ou indígena.
O professor da Uneb participa de audiência pública promovida pelas comissões de Educação e Cultura; e de Direitos Humanos e Minorias. A reunião ocorre no plenário 2. Reportagem - Cristiane Bernardes
Edição - Pierre Triboli
(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura `Agência Câmara`)
Agência Câmara
Tel. (61) 3216.1851/3216.1852
Fax. (61) 3216.1856
E-mail:agencia@camara.gov.br