CPMI entrega relatório a Ministério Público, TCU e PF
10/04/2006 - 20:55
O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios será entregue nesta terça-feira ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Polícia Federal. Participarão do ato o presidente da CPMI, senador Delcidio Amaral (PT-MS), e o relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). O texto também deverá ser publicado no Diário da Câmara, formalizando o encerramento dos trabalhos da comissão, e acabando com as chances do PT de reverter a aprovação do documento, ocorrida na última quarta-feira (5).
O PT apresentou, na semana passada, recurso ao presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), pedindo a continuidade da sessão para análise dos votos em separado. O recurso foi indeferido.
Hoje, após a entrega do relatório a Renan, Serraglio confirmou os nomes do controlador do Banco Opportunity, Daniel Dantas, e da ex-presidente da Brasil Telecom Carla Cicco entre as pessoas que tiveram indiciamento solicitado pela CPMI. Quando o relatório foi apresentado, na semana passada, houve dúvida sobre a situação dos dois. Eles são acusados de sonegação fiscal, tráfico de influência e corrupção ativa.
Dantas é considerado um dos financiadores do esquema de "mensalão". Na gestão de Cicco, a Brasil Telecom firmou contratos com as agências de publicidade SMPB e DNA, do empresário Marcos Valério - acusado de ser operador do esquema -, mas os serviços não foram prestados. "Cumprimos a missão", comemorou Serraglio após entregar o relatório, que tem mais de 1.800 páginas, a Renan. "Acho que fomos imparciais, na medida em que é possível a um cidadão se considerar imparcial, porque todos nós temos nossas tendências. Tudo o que nós recolhemos estamos encaminhando à frente, para que as autoridades competentes responsabilizem quem tiver culpa", acrescentou.
Novos "mensaleiros" Reportagem - Rodrigo Bittar
O relator reiterou ainda que a CPMI vai entregar aos órgãos de investigação do governo uma lista que poderá elevar o número de deputados envolvidos no esquema de "mensalão". Essa relação foi elaborada a partir da identificação de uma série de "coincidências suspeitas" relativas a visitas de assessores parlamentares às agências bancárias envolvidas no esquema. Como ainda não foi depurada, a lista com os nomes desses assessores será enviada em caráter sigiloso para investigações.
O documento foi obtido a partir do cruzamento dos nomes de assessores de deputados com dados de saques e visitas à agência do Banco Rural em Brasília, onde era feita a distribuição de recursos ilegais.
Um dos indícios apontados pelo relator é a presença de assessores em dias em que Simone Vasconcellos, diretora financeira da empresa SMPB, de Marcos Valério, comparecia à agência para distribuir recursos a parlamentares. "Não é possível que tantas pessoas tenham ido nessas datas, de modo lícito, fazer saques no Banco Rural", afirmou Serraglio.
Edição – Wilson Silveira
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