Coordenador do Inpe explica parceria com a China
31/03/2006 - 14:29
O coordenador científico de satélites e experimentos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Marco Antonio Chamon, destacou a funcionalidade dos satélites CBERS, desenvolvidos pelo Brasil em parceria com a China. Ele participou nesta manhã da Conferência Ibero-Americana, que discutiu política para o setor aeroespacial.
Chamon afirmou que as imagens enviadas pelo satélite são disponibilizadas gratuitamente no site do Inpe, o que fomenta o surgimento e o crescimento de empresas que atuam com geoprocessamento. Como exemplo, ele citou a Petrobras, que paga 500 mil dólares (R$ 1,1 milhão) por ano para ter acesso a imagens do satélite americano Landsat, mas não paga nada para receber imagens similares produzidas pelo satélite sino-brasileiro.
Outra aplicação das imagens do satélite é o monitoramento pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de latifúndios, de maneira a orientar a reforma agrária.
A intenção do governo brasileiro é internacionalizar os dados vendendo a outros países estações capazes de decodificar os sinais enviados pelo CBERS.
A única estação brasileira desse tipo está estrategicamente localizada em Cuiabá (MT), ponto central da América do Sul, porque permite a cobertura de todo o continente.
Amazônia
Chamon lembrou que o lançamento do satélite americano Landsat 8, que poderia monitorar a Floresta Amazônica a partir de 2008, é incerto. Ele enxerga nisso uma oportunidade para o Brasil desenvolver e lançar um satélite que possa fazer esse monitoramento.
A família CBERS compõe-se de cinco satélites. Atualmente está em órbita o CBERS 2, e ainda serão lançados, até 2009, o 2B, o 3 e o 4.
Novos lançadores
O diretor do Centro Técnico Aeroespacial, major-brigadeiro-do-ar José Monteiro Guimarães, que também participou da conferência, disse que o programa espacial brasileiro pretende desenvolver lançadores de foguete capazes de colocar em órbita satélites de até 1.200 quilos. Ele afirmou que 93% dos satélites a serem lançados até o próximo ano são desse porte ou menores. Dessa forma, o desempenho dos lançadores brasileiros é considerado satisfatório pelo diretor.
A conferência foi interrompida há pouco. Os debates serão retomados às 16 horas. Reportagem - Edvaldo Fernandes
Edição - Natalia Doederlein
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