Economistas criticam vulnerabilidade e política externa

16/03/2006 - 19:07  

No segundo dia do seminário "Caminhos do Crescimento", promovido pela Câmara, os economistas Reinaldo Gonçalves e Antonio Corrêa de Lacerda criticaram a vulnerabilidade externa do País e a baixa competitividade nas exportações.
Professor de economia da UFRJ, Gonçalves ressaltou que o crescimento das exportações brasileiras deve-se apenas a um ciclo normal do comércio internacional, e não à política do Governo Lula. Ele afirma que o mundo inteiro está ampliando suas exportações diante da aceleração das "duas locomotivas" (EUA e China). "Esse sucesso extraordinário das exportações ocorre a despeito do Governo Lula e não por causa dele".
Lacerda destacou que, apesar de o Brasil estar vivendo um momento aparentemente favorável, o País ainda é muito pouco aberto comercialmente, respondendo por menos de 2% do comércio mundial e ocupando a 25ª posição no ranking dos exportadores, embora seja a 9ª economia mundial. Em sua opinião, o aumento da receita das exportações deve-se, em parte, ao fator preço.
Gonçalves e Lacerda participaram do primeiro painel de hoje do seminário.

Competitividade em baixa
Ao falar sobre a falta de competitividade brasileira, Reinaldo Gonçalves ironizou o fato de o País ter fechado vários contratos de longo prazo com a China baseados em produtos de baixíssimo valor agregado, como agrícolas e minérios. O professor do Departamento de Economia da PUC de São Paulo Antonio Lacerda concorda: ele observou que o governo atual anunciou políticas industriais vinculadas a alguns setores, mas muito pouco foi feito. "O Brasil pode continuar sendo grande fornecedor de commodities, mas precisa se especializar em determinadas áreas e se fortalecer naquelas em que tem competitividade", opinou.
O economista citou a área de softwares como exemplo de um setor no qual o País tem baixa inserção e grande capacidade competitiva. "Sabidamente, os técnicos brasileiros são altamente criativos e os nossos custos são mais baixos. Teríamos o diferencial de inovação e de custo", ressaltou.

Vulnerabilidade externa
Na visão de Reinaldo Gonçalves, embora "indicadores conjunturais" tenham melhorado, a vulnerabilidade externa do País aumentou nos últimos três anos. Ele lembrou que o Brasil continua a ter um dos cinco maiores riscos-país do mundo e a 7ª maior vulnerabilidade externa. "Nos últimos 20 anos, o País que mais pagou juros e taxas ao FMI (Fundo Monetário Internacional) foi o Brasil", disse.
Gonçalves criticou o governo por ter renovado acordo com o fundo em março de 2005 e ter pago 3,4 bilhões de dólares de juros e taxas por um empréstimo cujos recursos não chegaram a ser usados. "Outros pagaram bem menos e usaram o dinheiro", disse.

Leia mais:
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Confira os outros painéis do seminário:
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Reportagem - Luciana Mariz
Edição - Patricia Roedel

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