Sereno nega ingerência nas decisões da Prece

10/03/2006 - 15:39  

O ex-dirigente do PT Marcelo Sereno afirmou há pouco que não houve nenhuma influência do governo de Benedita da Silva (PT) na Cedae (companhia de água do estado do Rio de Janeiro) ou na escolha do Banco Santos como gestor do investimento do fundo de pensão dos servidores daquele órgão (Prece). Sereno disse que foi nomeado para o Conselho de Administração da Cedae, posto que exerceu por cerca de cinco meses, porque na época era secretário-executivo do governo de Benedita. Havia, segundo ele, a intenção de que acompanhasse o andamento da companhia.
Sereno assegurou, também durante depoimento na Sub-relatoria de Fundos de Pensão da CPMI dos Correios, que nenhum assunto da Prece chegou a ser discutido pelo conselho durante o período de sua participação.
Segundo o sub-relator, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), o ano de 2002 foi o pior para o desempenho da Prece, que teve perda de 30% em seus investimentos, razão pela qual sofreu queda de 7% em seu patrimônio líquido. Embora tenha reconhecido que aquele foi um ano ruim para a economia brasileira, o deputado afirmou que, ainda assim, a CPMI constatou má gestão dos recursos.
Sereno respondeu que nunca tomou conhecimento das decisões da Prece, pois suas responsabilidades e tarefas no governo eram muitas, mas não relacionadas nem mesmo à Cedae.

Pororoca
Marcelo Sereno confirmou que é amigo de Murilo de Almeida Rego, filho do empresário Haroldo Almeida Rego Filho, conhecido como Pororoca. Negou, porém, ter contato próximo com a família de Murilo. Também não existiu, segundo o depoente, nenhuma conversa dele com Murilo a respeito de questões de governo ou investimento.
O ex-dirigente do PT atribuiu como falsas as denúncias feitas pelo operador de mercado financeiro Alexandre Athayde, segundo as quais seria o contato de Pororoca com o governo, a fim de beneficiar o empresário. Sereno classificou a acusação como fruto de um "problema claro" que Athayde teria com a família, especialmente com Haroldo - outro filho de Pororoca - por causa de um investimento que não deu certo. "Ele [Alexandre Athayde] inventa várias coisas, mas elas não existem mesmo, até porque eu não tinha a relação que ele acha que eu tive com a família Almeida Rego", disse Sereno.

O depoimento prossegue na sala 19 da ala Alexandre Costa, no Senado.

Reportagem - Marcello Larcher
Edição - Sandra Crespo

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