Debatedores querem ensino formal em línguas diversas

07/03/2006 - 19:24  

Terminou há pouco o seminário sobre a criação do livro de registro das línguas faladas no Brasil. Os representantes das línguas que compuseram a primeira mesa de debate fizeram a mesma reivindicação: educação formal nas diferentes línguas.
A professora da Universidade Federal de Santa Catarina Gisele Rangel, que ensina a Língua Brasileira de Sinais (Libra) para crianças deficientes auditivas, mostrou preocupação com a educação dos surdos, devido à falta de metodologia e à não-formação de professores especializados. "Não existe metodologia pronta; é preciso adaptar os sinais às diversidades regionais no País para depois tentarmos uma formação específica", explicou.
Representante do dialeto hunsruckisch, Jaqueline Frey queixou-se de que no Brasil não existe nenhuma escola que ensine por meio de sua língua. "Até mesmo a cultura e a língua alemãs sofrem resistência", ressaltou.
Já o falante da língua indígena nheengatu (língua geral amazônica) Gersem dos Santos Luciano afirmou que é preciso garantir políticas públicas mais efetivas, não apenas para registrar as línguas existentes no País. "Antes do registro, é preciso fortalecer as línguas e garantir seu reconhecimento como língua oficial regional. O registro seria o segundo passo para essa valorização", declarou.
O seminário, que começou hoje, é organizado pela Comissão de Educação e Cultura, em pareceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Lingüística (Ipol).

Livros
Neste momento, no auditório Nereu Ramos, estão sendo lançados três livros: "Interesse, Pesquisa e Ensino: Uma Equação para a Educação Escolar no Brasil", organizado por Gilvan Müller de Oliveira e editado pela Prefeitura de Florianópolis (SC); também organizado por Oliveira, "Declaração Universal dos Direitos Lingüísticos: Novas Perspectivas em Política Lingüística", edição Ipol e Mercado das Letras; e "Falares Africanos na Bahia: Um Vocabulário Afro-Brasileiro", de Yeda Pessoa de Castro, edição Topbooks.

Os trabalhos do seminário serão retomados às 14h30 de amanhã no plenário 10, com a mesa "O Plurilingüismo brasileiro: a ótica das instituições". O encontro termina na quinta-feira (9).

Reportagem - Adriana Resende
Edição - Sandra Crespo

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