CPMI chega a Tóquio para avaliar situação de dekasseguis

01/03/2006 - 19:08  

A delegação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Emigração Ilegal chegou hoje à tarde a Tóquio para averiguar as condições de vida de brasileiros no Japão. Participam da viagem o presidente da comissão, senador Marcelo Crivela (PMR-RJ); o relator, deputado João Magno (PT-MG); e os deputados Takayama (PMDB-PR), Neucimar Fraga (PL-ES) e Dr. Heleno (PSC-RJ).
Na agenda da CPMI no Japão estão previstos contatos com autoridades do governo japonês e representantes das comunidades de dekasseguis de Tóquio e Nagóia.
Os parlamentares vão se reunir com representantes da Embaixada do Brasil em Tóquio; do Conselho de Cidadãos do Consulado-Geral; com o vice-presidente do Senado japonês, Giichi Tsunoda; e com representantes dos ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Educação e da Agência Nacional de Polícia do Japão. A agenda de viagem inclui ainda visitas a brasileiros detidos em presídios de Tóquio e Nagóia.
A delegação deve retornar ao Brasil na próxima terça-feira (7).

Fluxo de emigrantes
Atualmente vivem no Japão mais de 270 mil brasileiros. "Depois dos Estados Unidos e da fronteira com o Paraguai, o Japão é o país que mais recebe emigrantes brasileiros. Muitos deles enfrentam dificuldades, por isso é necessário conhecer de perto essa realidade", avalia João Magno.
Pesquisa realizada pela Associação Brasileira dos Dekasseguis (ABD) indica que o fluxo de brasileiros que emigram para o Japão vem aumentando nos últimos anos. A comunidade dekassegui passou de 56 mil pessoas em 1990 para quase 270 mil no fim de 2002. Atualmente, os brasileiros representam a terceira comunidade estrangeira no Japão, menor apenas do que a de coreanos e chineses.

Estímulos
De acordo o levantamento, o aumento do fluxo migratório se deve, principalmente, às modificações da Lei da Imigração do Japão, que atualmente permite aos emigrantes brasileiros, com antecedentes japoneses até a terceira geração, a obtenção de uma condição legal no país.
Mais de 50% desta população é formada por jovens na faixa etária entre 20 e 34 anos e com elevado nível de educação (45% possuem nível de ensino médio ou superior). Estudantes e comerciantes são a maioria dos emigrantes, que geralmente permanecem no Japão por até cinco anos.

Remessas de recursos
No Brasil, a maior parte das comunidades de origem japonesa reside nos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e, em menor escala, no Rio de Janeiro e no Pará. "O fenômeno migratório para o Japão tem ligação estreita com fatores econômicos e familiares. Em geral, o dekassegui sai em busca de emprego e salário que possam subsidiar uma atividade empresarial própria quando retornar ao Brasil", ressalta João Magno.
O relator destaca ainda que os emigrantes brasileiros no Japão são responsáveis por boa parte das remessas de recursos do exterior para o Brasil, que atingiram em 2004 a soma de 5,8 bilhões de dólares (cerca de R$ 12,27 bilhões na cotação de hoje).

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Da Redação/FB

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