Economista sugere que mínimo acompanhe variação do PIB

21/02/2006 - 16:23  

O economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Guilherme Costa Delgado defendeu há pouco, na reunião da Comissão Mista Especial do Salário Mínimo, a aplicação de uma política de longo prazo para a recuperação do valor real do mínimo vinculada ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Delgado observou que a vinculação do salário mínimo aos benefícios previdenciários representa um fator limitante, mas não impeditivo.
O economista calcula que cada 10% do aumento do mínimo acarreta uma elevação de 3,8% na despesa global do sistema global da Previdência e Assistência Social.
Os benefícios da Seguridade Social estão em torno de R$ 150 bilhões ao ano. Do total, 38% são vinculados ao salário mínimo, correspondendo a quase R$ 57 bilhões. "É um impacto forte na despesa, por isso o processo de recuperação deve ser progressivo, gradual e vinculado ao crescimento do PIB", reforçou.

PIB per capita
O representante da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Samuel Pessoa recomendou que a política de valorização do salário mínimo siga o crescimento do PIB per capita. Pessoa lembrou que o mínimo já vem sendo valorizado nos últimos anos.
Segundo o pesquisador, o reajuste de R$ 300 para R$ 350 em 2006 já vai aproximar o Brasil da média dos países com PIB per capita equivalente. "Os países com PIB per capita mais elevado também têm salário mínimo mais elevado."
Pessoa também observou que o Brasil "gasta muito" com os aposentados e pensionistas. "As despesas correspondem a quase 12% do PIB, bem acima da média dos países com grau de riqueza equivalente. Como os benefícios estão indexados ao mínimo, a política de valorização do mínimo deve levar em conta esse impacto."

Outras políticas
Apesar de reconhecer a necessidade de valorização do mínimo, o representante da FGV avaliou que a política de recuperação do mínimo é menos eficiente para o combate à pobreza, especialmente à extrema pobreza, do que outras políticas como o Bolsa Família e o Salário Família.

A reunião continua na sala 9 da ala Alexandre Costa, no Senado.

Reportagem - Luiz Claudio Pinheiro
Edição - Francisco Brandão

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