Diretor explica intervenção no Portus em 2001

16/02/2006 - 16:12  

O diretor financeiro do Instituto de Seguridade Social Portus (fundo de pensão dos funcionários da antiga Portobrás), Adrei Antonio Degasperi, explicou os motivos de a Secretaria de Previdência Complementar ter intervindo no fundo em 2001. Segundo ele, isso ocorreu em razão de compras de títulos públicos com valores elevados, de investimentos em empresas que nunca operaram e da saída da Portus de investimentos em shoppings no momento em que eles começaram a dar lucro.
Degasperi presta depoimento na Sub-Relatoria de Fundos de Pensão da CPMI dos Correios. Há pouco, o gerente de aplicações do fundo, Alexander da Silva, passou a ajudar o colega no depoimento.
O sub-relator, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), questionou os depoentes sobre o fato de o ex-diretor financeiro do Portus Pedro Batouli ter se mantido no cargo entre 1993 e 2001 mesmo causando grandes prejuízos à instituição.
A hipótese levantada por Magalhães Neto é que Batouli continuou no cargo graças ao apoio político do PMDB. Degasperi disse desconhecer essa informação.

Liquidez
Alexander da Silva disse também que, atualmente, o fundo faz aplicações extremamente conservadoras, como em títulos de renda fixa. Nas aplicações de renda variável, o gerente de aplicações informou que o fundo opta por ações com alta liquidez, como as da Petrobras e CDBs de 30 dias em bancos de primeira linha.
Segundo Silva, o Portus depende de ações com alta liquidez porque precisa sacar mensalmente cerca de R$ 5 milhões para pagar os segurados. Segundo os depoentes, o Portus teve rentabilidade negativa nominal de 10,7% em 2001 e de 12% em 2002. A partir de 2003, porém, o fundo voltou a ter lucro por conta das aplicações mais conservadoras.

Prejuízo
Questionado pelo sub-relator sobre o prejuízo de R$ 6,5 milhões em 2004, Silva explicou que essa perda ocorreu porque o fundo trocou ações da empresa Energiza por títulos do banco Cruzeiro do Sul.
Segundo Silva, a diretoria optou pela troca para garantir melhor liquidez nas aplicações. "Essa foi a melhor oferta que recebemos na época".
Segundo Magalhães Neto, há denúncias de que Marcelo Sereno, ex-secretário de comunicação do PT, estaria envolvido na operação, mas os depoentes disseram desconhecer a informação.

A reunião prossegue na sala 19 da ala Alexandre Costa, no Senado.

Reportagem - Newton Araújo Jr. e Maria Neves
Edição - Maria Clarice Dias

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