CNC: redução de juros pode ajudar na política do mínimo
07/02/2006 - 16:28
O representante da Confederação Nacional do Comércio (CNC) em audiência pública que discute a recuperação do salário mínimo, Carlos Tadeu de Freitas Gomes, afirmou há pouco que há espaço no Brasil para uma política de aumento real, desde que seja "palatável" para o setor privado. "O risco que se corre, com essa política, refere-se ao impacto sobre as contas públicas", salientou, ao mencionar o aumento dos gastos da Seguridade Social. Por essa razão, é importante, segundo Gomes, que o governo banque esse aumento de despesas não por meio da elevação da carga tributária, "e sim, pela redução dos juros reais estratosféricos hoje praticados na nossa economia", ressaltou.
Riscos
Também durante sua participação na audiência, organizada pela Comissão Mista do Salário Mínimo, Carlos Tadeu Gomes lembrou que, nos últimos três anos, o valor real do mínimo cresceu bastante, "mas a renda média real não aumentou tanto assim". Segundo o representante da CNC, essa comparação mostra que há riscos em elevar mais o salário sem que haja uma melhoria geral da economia.
Gomes disse que, em contrapartida, o comércio vem sendo favorecido por uma inflação mais baixa. "Temos que elogiar a estabilidade dos preços; as vendas têm aumentado, ou seja, há fatores positivos, porém não é possível aumentar ainda mais a carga tributária", assinalou.
Impacto
O aumento do salário mínimo para R$ 350 previsto para abril, afirmou ainda, "terá forte impacto na elevação da demanda interna, pois está vindo em momento de inflação baixa. Assim, daqui para frente, uma eventual indexação do salário mínimo [à taxa de inflação] deve ser pensada com muita cautela". Gomes salientou que "toda indexação traz efeitos negativos", mas no caso do mínimo, acredita que a fórmula pode ser praticada, desde que vinculada ao PIB per capita. "Estamos na rota correta; para o comércio, o que interessa é o crescimento econômico. O melhor caminho para o País é reduzir os juros e elevar o crescimento", disse. O reajuste do mínimo, completou, pode ser feito paralelamente a esse processo, "desde que não provoque elevação da dívida pública", completou.
Os trabalhos prosseguem na sala 6 da ala Senador Nilo Coelho, no Senado. Reportagem - Luiz Claudio Pinheiro
Edição - Sandra Crespo
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