Advogado diz que caixa 2 do PT não beneficiou Pedro Corrêa

23/01/2006 - 17:21  

Ao apresentar a defesa do deputado Pedro Corrêa (PP-PE) ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, o advogado Eduardo Ferrão lamentou a pressão da imprensa sobre o caso e ressaltou que as provas confirmam que o parlamentar não utilizou em benefício próprio os recursos de caixa dois do PT repassados ao PP.
O deputado admitiu ter recebido R$ 700 mil por intermédio do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. Já este disse ter repassado ao PP um total de R$ 4,1 milhões, por intermédio do assessor do partido João Cláudio Genu - que nega. Segundo Corrêa, os recursos foram utilizados para pagar a defesa do ex-deputado Ronivon Santiago (AC).

Decisão coletiva
Segundo o advogado, o deputado, que é presidente do PP, não decidiu individualmente por aceitar a ajuda financeira do PT. "Isso foi uma decisão da direção do Partido Progressista", argumentou. Ferrão destacou que não há dispositivo legal que proíba um partido de repassar dinheiro para outro.
Segundo o advogado, a avaliação de uma relação promíscua entre PT e PP é um julgamento subjetivo. A condição de deputado, no caso de Pedro Corrêa, era acidental. "Não há relação direta entre o fato de ser presidente do partido e parlamentar"

Sem mácula
O advogado defendeu que o repasse do dinheiro entre os dois partidos não prejudicou a Câmara nem trouxe mácula para a Casa. Segundo ele, é preciso deixar o fato fora do contexto "de alegação de corrupção que contamina todos os processos" julgados pelo Conselho de Ética.
Ferrão sugeriu aos parlamentares que permitam ao povo pernambucano julgar as ações do deputado nas próximas eleições. Citando o poeta chileno Pablo Neruda e o dramaturgo alemão Bertolt Brecht, o advogado afirmou que a Câmara "está sendo paulatinamente acuada pelo poder da mídia". Ele disse não se lembrar de outra situação na história do Brasil em que uma instituição tenha sido tão "achincalhada" como a Câmara tem sido atualmente.

Pressão da imprensa
Ferrão deu como exemplo os gastos em publicidade oficial pela Presidência da República, três vezes maiores do que os gastos da Câmara com a convocação extraordinária. "Disso ninguém fala", lamentou. Para o advogado, a Câmara não pode continuar pautada pela mídia. Ele conclamou os deputados a votar segundo sua própria consciência e não segundo a pressão da imprensa.
O defensor comparou o processo contra Pedro Corrêa ao do ex-deputado Ibsen Pinheiro, que foi inocentado pela Justiça depois de ter o mandato cassado pela Câmara, em 1993. O processo contra Ibsen teve como base uma reportagem da revista Veja que, mais de dez anos depois, foi desmentida pelo próprio jornalista.

A reunião continua no plenário 11.

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Relator finaliza processo contra Pedro Corrêa

Reportagem - Cristiane Bernardes
Edição - Francisco Brandão

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