Dirigente diz que Rural cobrou empréstimos de Valério

18/01/2006 - 13:32  

O vice-presidente do Banco Rural, José Roberto Salgado, classificou como mentirosas as declarações do ex-superintendente do banco Carlos Godinho de que os empréstimos às empresas de Marcos Valério foram feitos para não serem pagos. Ele afirmou, em depoimento na Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) dos Correios, que realizou reuniões com Valério para cobrar as dívidas.
Salgado ressaltou que Godinho era responsável pela área de compliance (que fiscaliza o cumprimento de regras pela instituição) e não tinha qualquer contato com a área de crédito. A função de Godinho, segundo ele, era averiguar a conformidade das operações do banco com as normas do Banco Central.

Reunião em janeiro
Salgado disse que em janeiro de 2005, com a crise do sistema financeiro a partir da quebra do Banco Santos - que teve a falência decretada em setembro -, o Banco Rural procurou os empresários que tinham crédito em aberto com a instituição e pediu que eles pagassem suas dívidas ou reduzissem as operações com o banco, pegando empréstimos em outras instituições.
A SMPB e a Grafite, empresas de Marcos Valério, estavam nesse grupo. Por isso, Salgado disse ter realizado reunião em janeiro do ano passado com Valério, em seu primeiro contato com o empresário. Nesse encontro, afirmou Salgado, ele soube que as empresas não tinham como pagar os empréstimos e que os recursos obtidos tinham sido repassados para o PT.
O vice-presidente do Rural teria respondido a Valério que os negócios do banco eram com o empresário, e não com o PT. A dívida, de acordo com Salgado, foi então deixada em aberto e ficou vencida por 60 dias, o que teria levado à queda do rating (classificação) das empresas de Valério de A para C nos critérios de risco de empréstimo junto ao Banco Central.

Promessa de pagamento
Em março, Valério teria procurado o banco para pedir a reclassificação das suas empresas, porque isso estaria prejudicando seus contratos de publicidade e, conseqüentemente, a capacidade de pagamento. Segundo Salgado, o empresário prometeu o pagamento dos juros em 90 dias e, com isso, a renovação dos empréstimos foi concedida, com vencimento em junho, e as empresas de Valério foram reclassificadas para o nível A, com a devida justificação ao Banco Central.
Salgado desmentiu também a declaração de Godinho de que o rating da SMPB sempre tinha sido AA, afirmando que isso nunca ocorreu. Ele também disse que houve cobrança dos empréstimos, mas que, depois da crise política iniciada em junho do ano passado, o Banco Rural teve de optar pela via judicial para cobra o pagamento.

Amizade
Salgado atribui as facilidades de Valério para conseguir empréstimos no Banco Rural à amizade com José Augusto Dumont, que era o vice-presidente da instituição e morreu em 2004.
O vice-presidente do banco disse ainda que era amigo íntimo de Dumont e que ele jamais contrataria um empréstimo para não receber. "Isso vai contra tudo o que ele me ensinou", afirmou.

O depoimento ocorre na sala 2 da ala Nilo Coelho, no Senado.

Reportagem - Marcello Larcher
Edição - Marcos Rossi

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)

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