Banco Rural diz desconhecer contas de Valério no exterior
18/01/2006 - 12:25
O vice-presidente do Banco Rural, José Roberto Salgado, declarou há pouco na CPMI dos Correios que não tem conhecimento da existência de contas do empresário Marcos Valério nas subsidiárias internacionais do banco.
Salgado disse que essas empresas são independentes, embora controladas pelo Banco Rural Brasil. Há uma com sede no Uruguai, responsável pelo comércio no âmbito do Mercosul; uma nas Bahamas, responsável pelo comércio com a América do Norte; e uma em Portugal, responsável pelo comércio com o resto do mundo. "Essas empresas obedecem às leis dos países onde estão sediadas e não podemos ter acesso a informações sobre os correntistas", afirmou.
O relator da CPMI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), censurou o depoente por não ter reunido as informações sobre as possíveis contas de Valério, mesmo sabendo que esse é o foco das investigações. Na sua avaliação, o Banco Rural perde credibilidade ao não colaborar com a CPMI.
Salgado disse que o Banco Rural jamais fez remessas ao exterior para Valério e se colocou à disposição da comissão para pedir às subsidiárias do banco informações necessárias às investigações.
Trade Link
Salgado negou relações societárias ou pessoais com o Trade Link Bank. Segundo o vice-presidente do Banco Rural, os negócios com essa empresa são para financiamento de comércio exterior, em que o banco faz empréstimos no Trade Link para financiar empresas brasileiras. Ele disse também que toda a movimentação financeira da conta do Banco Rural no Trade Link é fiscalizada pelo Banco Central e auditada.
O dirigente contestou ainda as informações do doleiro Antônio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, sobre operações ilegais de remessa de dinheiro via a empresa Guaranhuns e a corretora Bonus-Banval. Segundo depoimento de Barcelona à CPMI, o Trade Link "lavava" dólares por meio de uma agência do Banco Rural nos Estados Unidos que, por sua vez, repassava os recursos para a corretora Bonus-Banval. A Bonus-Banval então recorreria a doleiros para trocar esses dólares por reais e repassaria os valores ao PT, ao líder do PP, deputado José Janene (PP-PR), e a outros partidos não citados por Barcelona.
Processo de redução
José Roberto Salgado informou à CPMI que é responsável pela área operacional do Banco Rural e desde abril de 2004 deixou de cuidar da área internacional, em que trabalhou a partir de 2002.
Ele afirmou também que, depois da CPI do Banestado, que funcionou em 2003 e 2004, o Banco Rural iniciou um processo de redução operacional e de custos, com o fechamento de subsidiárias no exterior. Salgado está à frente desse processo.
O depoimento ocorre na sala 2 da ala Nilo Coelho, no Senado. Reportagem - Marcello Larcher
Edição - Marcos Rossi
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