Intervenção apura irregularidades no Banco Santos

29/11/2005 - 22:37  

A intervenção do Banco Central mostrou uma série de irregularidades no Banco Santos. Entre elas estariam operações ilícitas com debêntures, aplicação de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com finalidade diversa das previstas na lei e transferência de valores do banco para outras empresas do Grupo Santos. "O banco foi concebido para realizar operações espúrias", disse o administrador da massa falida, Vânio Aguiar.
Questionado pelo deputado Carlos Willian (PMDB-MG), Vânio Aguiar explicou que a coleção de obras de arte do ex-controlador do Santos, Edemar Cid Ferreira, foi transferida para a União por decisão judicial. Para Vânio Aguiar, o ideal é que ela fosse incorporada à massa falida, para que pudesse ser usada no ressarcimento dos credores.
Vânio Aguiar também informou aos deputados que não encontrou nenhuma anormalidade quanto aos saques feitos no Santos no dia anterior à decretação da intervenção. Havia suspeita de que partidos e políticos com contas no banco haviam sacado dinheiro às vésperas da intervenção. "Não encontramos nenhum caso de informação privilegiada", afirmou.

Processo judicial
Antes da intervenção, o Santos era o 21º maior banco do País, com R$ 2 bilhões em depósitos e 303 funcionários. Com a decretação da falência, o ex-controlador do banco deverá responder a processo judicial. Os 152 volumes do inquérito do BC sobre o Santos serão encaminhados à 6ª Vara Federal Criminal em São Paulo, especializada em crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro.

Reportagem - Janary Júnior
Edição - Francisco Brandão

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