Zica defende reforma, mas condena importação de pneu
16/11/2005 - 19:08
O deputado Luciano Zica (PT-SP) afirmou há pouco ser totalmente favorável à indústria da reforma de pneus que, segundo ele, deixa menos carcaças no meio ambiente. Porém, a importação de pneus usados foi criticada pelo parlamentar. "Cada um de nós deve tratar os resíduos que gera", resumiu Zica.
O deputado disse que há informações de que o Japão e outros países estão pagando mais de US$ 3 - o equivalente a R$ 6,60 - por suas carcaças recolhidas pelos outros países.
Durante audiência pública da Comissão Especial da Política Nacional de Resíduos, Zica questionou o representante da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), Vilien Soares, sobre a razão pela qual 60% dos postos de coleta de pneus usados que existem estão nos municípios com menos de 100 mil habitantes, quando se sabe que 70% da frota de veículos de passeio está nas médias e grandes cidades.
Soares respondeu que nas capitais e grandes cidades há um sistema informal de recolhimento das carcaças, que conta com a ajuda de borracheiros e empresas. "Sabemos que não é um bom mecanismo e estamos fazendo esforços para ampliar a coleta", esclareceu.
Queima Reportagem - Cristiane Bernardes
O deputado questionou também a declaração do representante da Associação Brasileira da Indústria de Pneus Remoldados (Abip) Francisco Simeão, de que a queima dos pneus gera menos poluição do que a queima do coque de petróleo. Segundo Zica, a queima do coque não gera dioxina, apesar de o produto usado no Brasil, importado da China, ter o teor de enxofre considerado alto - 6% a 7%. O coque de petróleo é um produto sólido, negro e brilhante obtido por craqueamento dos resíduos pesados (coqueamento). Queima sem deixar cinzas.
O deputado Ricardo Barros (PP-PR) defendeu a manutenção da importação de pneus usados e queixou-se ao coordenador-geral de Controle e Qualidade Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Márcio Freitas, dos valores das multas aplicadas a empresas associadas à Abip e à Anip. Segundo Freitas, o Ibama apenas aplicou a legislação existente - Decreto 3179/99. Entretanto, algumas empresas foram enquadradas em artigos diferentes, o que causou diferença nos valores das sanções.
O deputado Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) criticou o fato de a empresa de Simeão, BS Colway, estar recebendo pagamento pelas carcaças importadas. O empresário respondeu que a empresa sempre pagou pelas carcaças e também pelos custos de transporte do material.
Edição - Sandra Crespo
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)
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