Fruet diz que empréstimos de Valério são simulações

10/11/2005 - 15:15  

O sub-relator de Movimentação Financeira da CPMI dos Correios, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), começou há pouco a apresentação de seu relatório parcial. Após uma breve introdução, Fruet afirmou que os empréstimos que o empresário Marcos Valério diz ter feito em instituições financeiras são "simulações".
Para o sub-relator, não existe lógica no fato "de uma empresa de publicidade tomar emprestado dinheiro no sistema bancário com juros elevados e emprestá-lo a um partido político sem prazo de pagamento nem definição de seu percentual de remuneração".

Razões
O parlamentar explicou que existem várias razões para crer que os empréstimos são apenas formais, mas não existiram realmente. A primeira delas é que não há qualquer contrato formal entre as empresas de Marcos Valério e o Partido dos Trabalhadores.
Em segundo lugar, Fruet acentua que não há registro do pagamento de juros ou de amortização desses empréstimos. O terceiro motivo para desconfiança é que “a análise contábil das empresas de Marcos Valério não mostra consistência na identificação da entrada e da saída dos recursos por meio dos empréstimos”. O sub-relator informou que os valores emprestados para a SMPB e os repasses a pessoas indicados por Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, não constam nos registros contábeis.

Gestão
Fruet explicou ainda que as operações financeiras dos bancos Rural e BMG foram consideradas incompatíveis com a gestão responsável de instituições financeiras. Segundo o deputado, o próprio Banco Central determinou rebaixamento da classificação desses empréstimos, pois dificilmente os bancos receberão o dinheiro e, por isso, devem provisionar o valor nas contas no Valério. Isto significa que o dinheiro ficará retido até que seja feito o pagamento dos empréstimos.
A quinta razão para a desconfiança da CPMI é o fato de que os contratos da DNA e SMPB com empresas públicas como o Banco do Brasil, Eletronorte e Correios foram dados como garantias para os empréstimos. Entretanto, conforme explicação do sub-relator, nesses contratos consta uma cláusula que veda a utilização deles como garantia para empréstimos. Por isso, segundo Fruet, não poderiam servir como garantias.

Sem registro
Para o sub-relator, "é inaceitável que, embora essas operações tenham movimentado R$ 55 milhões, simplesmente não haja qualquer documento de registro".
Gustavo Fruet explicou que seu relatório parcial, de pouco mais de 50 páginas, vem acompanhado de sete anexos, totalizando 300 páginas com planilhas e demonstrativos de cada conta e empréstimo feito pelas empresas de Marcos Valério.

A reunião para leitura do relatório da sub-relatoria de Fontes Financeiras prossegue na sala 2 da ala Nilo Coelho, no Senado.

Reportagem - Marcello Larcher
Edição - Cristiane Bernardes

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)

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