Empresário subornou ex-árbitro com R$ 30 mil
09/11/2005 - 22:43
Em audiência pública na Comissão de Turismo e Desporto, o empresário Nagib Fayad, apontado como um dos mentores da "máfia do apito", admitiu ter pago R$ 30 mil ao ex-árbitro de futebol Paulo José Danelon para manipular o resultado de três jogos do Campeonato Paulista de Futebol do ano passado (Corinthians x Ponte Preta, Portuguesa Santista x União São João de Araras e Guarani x Atlético de Sorocaba). A versão já havia sido confirmada anteriormente pelo próprio Danelon, que depôs há duas semanas na comissão. A fraude era utilizada para beneficiar apostadores em sites de jogos.
Apesar de admitir o esquema, o empresário afirmou que nunca tomou a iniciativa de subornar os árbitros. "Nunca procurei juízes de futebol. Eles é que me procuraram", declarou. Segundo ele, o ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho, que também fazia parte do esquema, mandava torpedos pelo celular informando os jogos que iria apitar. Mesmo com esse assédio, o empresário disse que teve prejuízo de R$ 300 mil em dois jogos apitados por Carvalho no campeonato brasileiro: Palmeiras x Santos e Juventude x Figueirense.
Bancas de apostas
Nagib Fayad entregou ao deputado Edinho Montemor (PSB-SP) os nomes dos responsáveis pelas bancas de apostas em que jogava. Eles foram identificados apenas como Leonardo, que atua no Rio de Janeiro, e Armando, de Piracicaba (SP). Os nomes já foram entregues à Polícia Federal.
O empresário declarou que ninguém além dos árbitros sabia dos acordos para manipular o resultado dos jogos nos quais, reiterou, apostava sozinho. Ele admitiu, no entanto, que dois amigos – "Fernando Catarina e Pedrinho" – fizeram apostas em seu nome.
Mesário
Questionado pelos parlamentares, o empresário negou conhecer o mesário da Liga Piracicabana de Futebol Vanderlei Pololi, que, segundo o Ministério Público, seria corruptor de árbitros há mais de dez anos, além de manter contatos com dirigentes e jogadores para influenciar resultados de jogos. Fayad lembrou que fez um acordo com o Ministério Público para ser beneficiado com a delação premiada, que prevê a redução da pena pela colaboração com as autoridades.
O autor do requerimento para a realização da audiência, deputado Silvio Torres (PSDB-SP), considera necessário que as investigações sejam aprofundadas para que os fatos sejam esclarecidos. "Eu confesso que tenho dificuldades para saber quem está dizendo a verdade. Eu acho que só as investigações que estão sendo feitas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público é que vão trazer a verdade."
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Reportagem – Antonio Junior
Edição -– Rodrigo Bittar
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