Ex-árbitro confirma fraudes e diz que foi vítima de agiota

25/10/2005 - 22:16  

O ex-árbitro de futebol Paulo José Danelon admitiu nesta terça-feira, em audiência pública da Comissão de Turismo e Desporto, ter manipulado o resultado de três jogos do campeonato paulista do ano passado (Corinthians e Ponte Preta; Portuguesa Santista e União São João de Araras e Guarani e Atlético de Sorocaba) para beneficiar um grupo de apostadores de loterias na internet.
Ele alegou dificuldades financeiras e ameaças em razão de dívidas para aceitar participar da fraude, proposta pelo empresário Nagib Fayad e ao dvogado Daniel Gimenes, supostos menores do esquema. Segundo ele, o problema começou após ter contraído divida de R$ 7,7 mil junto a Daniel Gimenes. Ao contrário da declaração de Nagib Fayad na CPMI dos Bingos, Danelon sustentou que a proposta de manipular jogos partiu do empresário. O primeiro contato, segundo Danelon, ocorreu em setembro de 2004, logo após ter aceito a ajuda financeira por parte de Gimenes.

Pressão
A dívida inicial, segundo ele, aumentou, após ter obtido resultados diferentes dos combinados. "Eles me ajudaram a pagar as dívidas da faculdade das minhas filhas, e aí eu fiquei devendo." Danelon afirmou que o aumento das dívidas foi usado por Fayad e Gimenes como argumento para que ele continuasse a participar das fraudes. Paulo Danelon explicou que foi ameaçado e pressionado e que temia pela família dele.
Ele justificou que precisava quitar suas dívidas pessoais, pois a Federação Paulista de Futebol só aceita em seus quadros juízes sem pendências com o Serviço de Proteção ao Consumidor (SPC) ou a Serasa.
Danelon declarou ainda que, apesar de ter recebido dinheiro do empresário, nunca apitou uma partida com o intuito de favorecer algum time. "Nunca garanti resultado", afirmou o Juiz de Futebol. Ele explciou que Gimenes e Sayad ligavam antes das partidas e informavam em qual time apostariam. Diante das informações do empresário, o árbitro afirmou que "torcia para que desse tudo certo, mas não manipulava os jogos e pedia a Deus para tudo acabar logo". Danelon salientou também que desconhecia completamente a existência de sites de apostas e que nunca jogou e nem tem vício algum.

Fiscalização permanente
O deputado Sílvio Torres (PSDB-SP), que propôs a audiência, disse que a Comissão de Turismo e Desporto vai continuar fiscalizando as atividades do esporte no Brasil. "O futebol brasileiro é permeado por administrações nefastas, acusadas de envolvimento em corrupção e desvio de dinheiro. O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro tem hoje dez ações contra a diretoria da CBF - por sonegação fiscal, por lavagem de dinheiro e por evasão de divisas. E quando a cúpula do futebol brasileiro está nesta situação, você não pode imaginar que abaixo não teremos situações graves como nós estamos assistindo agora."
A reunião de hoje faz parte de uma série de audiências que a comissão vem realizando sobre o assunto. A primeira foi realizada na semana passada, quando foi ouvido o promotor do Ministério Público de São Paulo José Reinaldo Carneiro de Bastos, que cuida do caso e defendeu a anulação de 11 partidas da série A do Campeonato Brasileiro apitadas pelo ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho. Nesta quinta-feira, a Comissão vai ouvir o presidente de Federação Paulista de Futebol, Marco Polo del Nero.

Reportagem – Antonio Júnior
Edição – Paulo Cesar Santos

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