CPMI ouve ex-deputado sobre compra de votos para reeleição

Da Agência Câmara - 25/10/2005 - 19:38

Começou nesta terça-feira a segunda etapa de trabalho da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Compra de Votos com o depoimento do ex-deputado Osmir Lima. Nessa etapa, a comissão passará a investigar a suposta compra de votos para aprovação da emenda à Constituição que permitiria a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1997.
Osmir Lima, que era deputado pelo PFL do Acre, foi citado pelo deputado Ronivon Santiago (PP-AC) em uma gravação na qual ele admitia e ainda acusava outros quatro colegas de terem recebido R$ 200 mil para votar a favor da reeleição.
No entanto, a investigação foi arquivada na Polícia Federal, que teve acesso a seus sigilos bancário e telefônico. Osmir também foi inocentado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara, em processo que sofreu por quebra de decoro. Em 1998, ainda não havia sido criado o Conselho de Ética na Câmara e o processo passava pela CCJ, onde os ex-deputados Chicão Brígido e Zila Bezerra também foram absolvidos. Ronivon Santiago e João Maia, que também havia sido gravado admitindo ter recebido os recursos, renunciaram para não serem cassados. Todos eram do Acre.

Relações pessoais

Osmir Lima disse ter votado a favor da reeleição, mas o fez atendendo a um pedido do então governador do Acre, Orleir Cameli, de quem foi inclusive chefe da Casa Civil até o momento em que assumiu mandato como deputado federal. Lima afirmou que veio para a Câmara como "homem de absoluta confiança" do governador, de quem era amigo, para defender interesses do estado.
Orleir Cameli e Amazonino Mendes, então governador do Amazonas, foram acusados à época de serem operadores da compra de votos para a reeleição no Norte. Mas o ex-parlamentar ressaltou que nunca ouviu o assunto “compra de votos” ser discutido.
Osmir também negou ter tido qualquer reunião com Sérgio Motta para tratar da reeleição e afirmou ter estado com ele uma única vez, para pedir apoio à construção da BR-364, principal projeto federal no estado à época. Como novidade, Osmir trouxe à CPMI apenas a informação de que havia boatos sobre a compra de votos dos dois lados, contra e a favor da emenda.

Volta ao mensalão

O deputado Júlio Redecker (PSDB-RS) lamentou a convocação do ex-deputado à CPMI. Segundo ele, Osmir não deve nada à Justiça nem à CPMI. "Há outras pessoas que deveriam estar aqui", disse Redecker, referindo-se às denúncias de pagamento de “mensalão” pelo Governo Lula. Ele citou como exemplos Genival Inácio da Silva, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusado de tráfico de influência; e Fábio Luiz, filho de Lula que teve ações de sua empresa, a Gamecorp, compradas pela Telemar por R$ 5 milhões.
Redecker admitiu que, no episódio da votação da emenda da reeleição, chegou a ser substituído pelo titular da vaga na Câmara porque era suplente e votaria contra a medida. Porém, ele disse nunca ter ouvido falar na compra de votos para aprovar a proposta.
O relator da comissão, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), ressaltou, no entanto, que o início das investigações sobre compra de votos no período de FHC à frente da Presidência não significa o encerramento das investigações sobre o "mensalão".
Ele lembrou, inclusive, que na quinta-feira (27) haverá acareação entre o empresário Marcos Valério de Souza, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, acusados de operar o "mensalão", e os principais sacadores de recursos do que chamaram de "caixa dois" do PT.

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Reportagem – Marcello Larcher
Edição - Patricia Roedel

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