Produtos do xisto podem ser vendidos a partir de 2006

20/10/2005 - 12:49  

O chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, João Carlos Costa Gomes, disse há pouco que a Embrapa começou recentemente a desenvolver pesquisas sobre xisto em culturas de mamona, cana e soja, a pedido do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Ele espera começar a comercialização de produtos do xisto já a partir do ano que vem.
O pesquisador participou de audiência pública, encerrada há pouco, das comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e de Minas e Energia para discutir o projeto Xisto Agrícola, desenvolvido no município de São Mateus do Sul (PR) pela Petrobras e pela Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa).
A Embrapa Clima Temperado tem sede em Pelotas (RS) e reúne cerca de 80 pesquisadores no Projeto Xisto, dos quais 22 têm doutorado, e 12, mestrado. Há ainda vários colaboradores que são estudantes. Para Gomes, uma das grandes virtudes desse projeto é a formação de jovens cientistas.

Potencial
Pesquisador da Embrapa convidado a explicar os benefícios do xisto, Clênio Pilon apresentou alguns resultados da pesquisa desenvolvida pela Embrapa, em parceria com a Petrobras e o Instituto Agrário do Paraná (Iapar). Constatou-se, entre outras coisas, que o potencial fertilizante e fitoprotetor (defensor agrícola) do xisto. O calxisto, um dos subprodutos do xisto, também teria poder de equilibrar o solo.
Segundo Pilon, o grande objetivo do projeto xisto agrícola é produzir insumos para substituir a importação de produtos agrícolas. "Em 2003, o Brasil consumiu 23 milhões de toneladas de fertilizantes, a maior parte importada", ressaltou o pesquisador.
O presidente da Iapar Francisco Skora Neto apontou a existência de 30 propriedades de referência para o estudo do xisto na região de São Mateus do Sul. Ele disse que alguns dos objetivos do projeto no Paraná são: a criação de um pólo de desenvolvimento regional; o desenvolvimento de um produto a preços competitivos; o incentivo à agricultura familiar e a proteção da saúde do trabalhador.

Uso imediato
O coordenador-geral de Sistemas de Produção Integrada e Rastreabilidade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, José Rozalvo Andrigueto, crê que o xisto poderá ser usado imediatamente nas culturas de arroz irrigado e de soja do Paraná e do Rio Grande do Sul. Segundo ele, o mineral poderá reduzir o uso de agroquímicos nas culturas brasileiras.

Recursos
Para o deputado Eduardo Sciarra (PFL-PR), um dos autores do requerimento de realização da audiência, o objetivo do debate é sensibilizar os parlamentares para garantir recursos no Orçamento de 2006 para o projeto Xisto Agrícola. A Petrobras estima que serão gastos R$ 10 milhões nas próximas etapas do projeto, no ano que vem. "Esse é um projeto de importância nacional que deverá impulsionar a agricultura familiar e até a produção de biosiesel", destacou Sciarra.
O deputado Airton Roveda (PTB-PR), também autor do requerimento, considera a aplicação do xisto como adubo e corretivo de solo emergencial para reduzir o uso de agrotóxicos no País.

Reportagem -Maria Clarice Dias
Edição - Malena Rehbein

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