Doleiro nega relação com corretora e esquema de caixa 2

19/10/2005 - 00:51  

O doleiro Alberto Youssef negou à CPMI dos Correios qualquer ligação com a corretora Bonus Banval e com o esquema de caixa dois montado pelo empresário Marcos Valério de Souza, apontado como operador do suposto esquema conhecido como “mensalão". Youssef prestou depoimento, nesta terça-feira, à sub-relatoria de Movimentação Financeira da comissão. Ele passou a ser investigado porque o também doleiro Toninho da Barcelona disse que foi Youssef quem apresentou o líder do Partido Progressista (PP), deputado José Janene (PR), à Bonus Banval, uma das corretoras que teriam sido usadas para repasse de recursos de Marcos Valério para a base aliada do governo. Alberto Youssef admitiu conhecer Janene e os donos da corretora, mas negou que tenha feito operações de câmbio com eles.

Operação com Maluf
Em relação a políticos, o doleiro reconheceu apenas uma operação de câmbio de cerca de um milhão e meio de dólares (aproximadamente R$ 3,3 milhões) feita para o ex-prefeito paulistano, Paulo Maluf, em uma conta da Suíça no fim dos anos 90.
O relator da CPMI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), também ficou interessado em informações sigilosas que Youssef repassou ao Ministério Público sobre as ligações do Banco Rural com o Trade Link Bank, que pode ser um dos braços do esquema de Marcos Valério no exterior. "Segundo ele nos revelou, Youssef é quem teria sido o grande identificador de todas essas operações da Trade Link e as ligações da Trade Link com o Banco Rural. Enfim, ele tem uma contabilidade reveladora, mas nós precisamos ter acesso a ela por meio do Ministério Público."

Delação premiada
Apesar de a reunião com Youssef ter sido fechada, Osmar Serraglio reconheceu que o doleiro não deu informações detalhadas para a CPMI devido às negociações que ele mantém com o Ministério Público para a delação premiada. O relator informou que a comissão vai buscar todos os dados sigilosos que os promotores e a Polícia Federal já levantaram sobre os negócios do doleiro. Alberto Youssef foi condenado pela Justiça a 7 anos de prisão por lavagem de dinheiro. Ele cumpre pena em regime semi-aberto. Na reunião desta terça-feira, o doleiro admitiu ter movimentado 2 bilhões e meio de dólares (cerca de R$ 5,6 bilhões) entre 1996 e o ano 2000, por meio das contas CC5 do Banestado. Para isso, Youssef teria pago propina a diretores da instituição (7 mil dólares quinzenais – cerca de R$ 15,68 mil) para obter facilidades nas operações com o banco e tentado, sem sucesso, subornar a fiscalização do Banco Central, conforme a CPMI do Banestado já havia apurado.

Cheque de Janene
Ao deixar a reunião reservada da sub-relatoria de Movimentação Financeira da CPMI dos Correios, o deputado Silvio Torres (PSDB-SP) afirmou que o doleiro paranaense justificou o recebimento de cheque nominal de R$ 150 mil do deputado José Janene (PP-PR). Segundo Youssef, o valor teria sido emprestado a um empresário do Paraná para que pagasse serviços do advogado Valdoci José dos Santos. Janene teria sido o fiador do empréstimo e, por isso, teria deixado com Youssef o cheque, que não chegou a ser descontado.

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Reportagem - José Carlos Oliveira
Edição - Simone Ravazzolli

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