Comissão vai ouvir envolvidos na máfia do apito
07/10/2005 - 16:00
A Comissão de Turismo e Desporto vai chamar para uma série de audiências na Câmara os envolvidos no escândalo da "máfia do apito", em que árbitros de futebol manipulavam resultados das partidas. No esquema, a quadrilha combinava o resultado dos jogos com os juízes e depois apostava em dois sites ilegais de jogos na internet. A estimativa é que os fraudadores ganharam mais de R$ 1 milhão nos últimos seis meses.
A comissão deve ouvir dois árbitros envolvidos nas denúncias de fraude nos jogos, Edilson Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon, assim como o ex-presidente da Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Armando Marques, acusado de conivência com o esquema. Também será chamado o presidente da Associação Nacional de Árbitros de Futebol, José de Assis Aragão.
Empresários e dirigentes
Serão ouvidos ainda o empresário Nagib Fayad, acusado de ser um dos mentores do esquema, e dois dirigentes de futebol, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Pólo Del Nero.
O presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Luiz Zveiter, e um dos promotores que cuida do caso, José Reinaldo Carneiro de Bastos, do Ministério Público de São Paulo, também prestarão esclarecimentos à comissão.
Mudanças na legislação
As audiências foram propostas pelo deputado Sílvio Torres (PSDB-SP), que foi relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da CBF-Nike. A CPI investigou irregularidades no futebol brasileiro. Para ele, é importante ouvir os envolvidos o mais cedo possível e fazer um diagnóstico rápido da situação, sugerindo mudanças na legislação e procurando responsáveis.
Pedido de CPI Reportagem - Marcello Larcher
O deputado Asdrubal Bentes (PMDB-PA) entregou à Secretaria-Geral da Mesa, no último dia 30, pedido de criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI), com 224 assinaturas, bem acima do mínimo necessário de 171. O parlamentar quer aprofundar as investigações, no entanto, admite que a instalação pode demorar a sair do papel porque a Câmara já conta com outros 28 pedidos de abertura de CPIs.
Mesmo assim, Asdrubal Bentes acredita que a Casa tem o dever de instalar a CPI da Máfia do Apito. "A fiscalização é uma das competências e prerrogativas do Poder Legislativo. Se abdicarmos dessa obrigação, como já estamos abdicando da condição de legislar, é melhor fechar o Congresso, porque perderemos a finalidade."
Edição - Regina Céli Assumpção
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