Comissão poderá investigar escândalo da máfia do apito
30/09/2005 - 17:15
A Comissão de Turismo e Desporto pode votar na próxima quarta-feira (5) seis requerimentos do deputado Sílvio Torres (PSDB-SP) chamando para uma audiência na Câmara os envolvidos no escândalo da "máfia do apito", em que árbitros de futebol manipulavam resultados das partidas. No esquema, a quadrilha combinava o resultado dos jogos com os juízes e depois apostava em dois sites ilegais de jogos na internet. A estimativa é que os fraudadores ganharam mais de R$ 1 milhão nos últimos seis meses.
Os requerimentos chamam para depor na comissão dois juízes envolvidos com a fraude nos jogos, Edilson Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon; o empresário Nagib Fayad, um dos mentores do esquema; o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira; e o presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Pólo Del Nero. Sílvio Torres também quer convidar o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Luiz Zveiter.
Diagnóstico
Para o deputado, é importante ouvir os envolvidos o mais cedo possível e fazer um diagnóstico rápido da situação, sugerindo mudanças na legislação e procurando responsáveis. Sílvio Torres, que foi relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da CBF-Nike, acredita que Ricardo Teixeira é um dos grandes responsáveis. "A responsabilidade é dele", acusa. "Ricardo Teixeira é o presidente da CBF e, como tal, tem a obrigação de fiscalizar e organizar o futebol brasileiro em todos os seus aspectos, especialmente na arbitragem."
Pedido de CPI Reportagem - Paula Bittar
Já o deputado Asdrubal Bentes (PMDB-PA) quer aprofundar as investigações com a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI). O pedido de abertura da CPI, com 224 assinaturas, foi entregue hoje à Secretaria-Geral da Mesa. No entanto, a instalação pode demorar a sair do papel. A Câmara já conta com outros 28 pedidos de abertura de CPIs.
Mesmo assim, Asdrubal Bentes acredita que a Casa tem o dever de instalar a CPI da Máfia do Apito. "A fiscalização é uma das competências e prerrogativas do Poder Legislativo. Se abdicarmos dessa obrigação, como já estamos abdicando da condição de legislar, é melhor fechar o Congresso, porque perderemos a finalidade."
Edição - Francisco Brandão
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)
Agência Câmara
Tel. (61) 3216.1851/3216.1852
Fax. (61) 3216.1856
E-mail:agencia@camara.gov.br
A Agência também utiliza material jornalístico produzido pela Rádio, Jornal e TV Câmara.