Pessoas ligadas a Naldinho alegam inocência em CPI

01/09/2005 - 20:15  

Por mais de duas horas, Clóvis Ribeiro, vulgo Nai, preso por tráfico de entorpecentes, associação para o tráfico e porte irregular de armas, tentou convencer nesta quinta-feira os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Armas de que é inocente. Ele é apontado como consultor do traficante Ronaldo Duarte Barsotti de Freitas, o Naldinho - suposto correspondente do Comando Vermelho na Baixada Santista (SP) -, para assuntos ligados à administração de organizações criminosas. Naldinho foi preso no início de junho com Edson Choulbi no Nascimento, o Edinho, e outras 50 pessoas. Há suspeitas de que Ronaldo Duarte também esteja envolvido com o tráfico de armas.
Nai disse que nunca soube do envolvimento de Naldinho com o tráfico de drogas ou de armas. Ele alegou ter sido vítima de uma armadilha.
À CPI, o suposto consultor de Naldinho disse que não falaria tudo o que sabe por medo de ser morto pela polícia. Ele acusou os policiais de levarem todas as jóias de sua família, 38 mil dólares (cerca de R$ 90 mil) e mais R$ 15 mil que estavam em sua casa, quando ele foi preso, na mesma ocasião que Naldinho. Segundo o depoente, a polícia também pediu R$ 400 mil para liberá-lo da prisão. Dono de diversas propriedades, Nai afirmou que todas foram compradas com seu salário de estivador.

Sócio
O advogado e empresário Nicolau Aun Junior, sócio e "tio de criação" de Naldinho também depôs na CPI. Ele negou conhecer Nai e disse que não tem envolvimento com o tráfico de drogas. Aun Junior, que está preso há três meses em Presidente Bernardes (SP), disse que sua prisão foi arbitrária e que desconhece o motivo pelo qual estaria preso.
O empresário afirmou que se sente ofendido com a acusação de que seus negócios serviriam de fachada para o tráfico de drogas. Antes da prisão, ele já havia sido acusado de estelionato.
Seu patrimônio, disse, é de R$ 6 milhões, com renda mensal de R$ 5 mil. No ano passado, Aun Junior teria emprestado R$ 1 milhão para Naldinho. O empréstimo teria se transformado em sociedade para um negócio de automóveis, no qual investiu mais R$ 1,5 milhão. Segundo o empresário, o comércio, com duas lojas em Santos e uma em São Paulo, "estava indo muito bem" e teria hoje valor total de R$ 3 milhões.
O sócio de Naldinho informou que conheceu apenas recentemente o ex-goleiro Edinho. O filho de Pelé seria sócio em um negócio de mineração de sucata que tentaram abrir, mas acabou não se concretizando.
O presidente da CPI, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), acredita que foi Nicolau Aun Junior que orientou a quadrilha de Naldinho nas finanças. "Ele é o que mais entende de sistema financeiro", afirmou o parlamentar.

Omissão
Na opinião do relator da comissão, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), os dois depoimentos de hoje deixam claro que Nai e Aun Júnior estão omitindo informações. "Do nosso ponto de vista, não há dúvida de que eles têm uma participação muito forte. Essa questão do Naldinho não é uma questão qualquer. É uma quadrilha que adquiriu uma grande capacidade de ação em toda Baixada Fluminense, com ramificações no Rio de Janeiro. Possivelmente, inclusive, representavam um braço do Comando Vermelho em guerra com o PCC (Primeiro Comando da Capital)", disse.

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Reportagem - Paula Bittar e Simone Salles
Edição - Noéli Nobre

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