Arraes construiu carreira no Congresso e no governo de PE
15/08/2005 - 19:22
O deputado Miguel Arraes, falecido no último sábado (13), era considerado um dos últimos grandes líderes da esquerda brasileira. Em razão de sua resistência à ditadura militar instalada em 1964, Arraes foi preso e exilado. Ele voltou ao País em 1979, beneficiado pela Lei de Anistia, e depois conquistou três mandatos de deputado federal - nas legislaturas de 1983 a 1987, de 1991 a 1995 e na atual, iniciada em 2003. Também foi governador de Pernambuco por três vezes.
Miguel Arraes de Alencar nasceu no município cearense de Araripe, em 15 de dezembro de 1916. Sua vida pública, no entanto, foi construída em Pernambuco, para onde se mudou na adolescência com o objetivo de completar os estudos. Em 1937, então com 21 anos, formou-se em Direito no Recife.
Nessa época, Arraes era funcionário do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), onde ingressou em 1934. No IAA, ele conheceu aquele que viria a ser o mentor da sua carreira política: Barbosa Lima Sobrinho, então presidente do instituto. Ao se tornar governador de Pernambuco, Barbosa nomeou Arraes para o cargo de secretário estadual de Fazenda, em 1947. Começava, então, uma longa carreira política.
Deputado estadual
O primeiro cargo eletivo foi conquistado em 1950, quando Arraes se tornou deputado estadual pelo antigo PSD. Depois de dois mandatos como deputado e outro como prefeito do Recife, Arraes chegou ao governo de Pernambuco em 1963.
Em sua gestão, ele adotou uma política nacionalista e de apoio aos trabalhadores. Dessa forma, conseguiu negociar um regime de trabalho mais humano para os agricultores e garantiu, também, que eles tivessem emprego nos períodos de entressafra, quando foram contratados pelo governo estadual para fazerem reformas em estradas e escolas.
Por essa atuação de vanguarda, Arraes tornou-se um dos primeiros políticos perseguidos pela ditadura. Ele foi preso dentro do Palácio das Princesas no dia 1º de abril de 1964, quando os militares tomaram o poder. Em 1965, depois de 11 meses de prisão, seguiu para o exílio na Argélia.
De volta ao País Reportagem - João Pitella Junior
Ao regressar ao Brasil, Arraes foi recebido como herói e retomou a sua carreira política pelo PMDB. Depois de atuar no Congresso, ele voltou ao governo de Pernambuco em 1987. O terceiro mandato de governador foi iniciado em 1995, já pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) - do qual era presidente nacional.
Miguel Arraes perdeu a disputa pela reeleição em 1998 para o governador Jarbas Vasconcelos, que havia sido seu aliado. Em 2003, conseguiu um novo mandato como deputado federal.
Entre os dez filhos do ex-governador, está Guel Arraes, diretor de cinema e produtor de programas de TV. O deputado federal Eduardo Campos (PSB-PE), ex-ministro de Ciência e Tecnologia do atual governo, é neto de Miguel Arraes.
Edição - Noéli Nobre
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