CPMI da Compra de Votos ouvirá Valério na próxima semana

04/08/2005 - 00:03  

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Compra de Votos, também conhecida como CPMI do Mensalão, decidiu marcar para a próxima semana os depoimentos do empresário Marcos Valério e do sócio dele na empresa SMPB Cristiano Paz. Marcos Valério é acusado de ser o operador do suposto esquema de pagamento de "mensalão" pelo PT a deputados da base aliada.
O primeiro depoimento na comissão acontece nesta quinta-feira, às 9 horas, quando será ouvido o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), autor das denúncias sobre o suposto pagamento de mesadas.
O vice-presidente da CPMI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), acredita que chegou a hora de Roberto Jefferson revelar tudo o que sabe. "É chegada a hora de o deputado falar toda a verdade. Já estamos aí há várias semanas, em que ele se nega a prestar algumas informações que são fundamentais."

Requerimentos
Pimenta informou que já foram apresentados à CPMI 196 requerimentos. A deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP), por exemplo, já pediu a convocação da secretária do presidente Luiz Inácio Lula da Silva Clara Ant e do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. "Clara Ant, que é hoje a principal secretária particular do Lula, foi arrecadadora de fundos para o PT em 1998. Também quero chamar o ministro Palocci, que arrecadou fundos para o PT para a região dele de Ribeirão Preto, em São Paulo", explicou a parlamentar.

Jefferson x Delúbio
A CPMI também deverá colocar frente a frente o deputado Roberto Jefferson e o tesoureiro licenciado do PT, Delúbio Soares.
O deputado Moroni Torgan (PFL-CE), apóia a solicitação da acareação. "Existem vários requerimentos de acareação, uma delas entre o deputado Roberto Jefferson e o senhor Delúbio Soares. Eu acho que, como há incompatibilidade nos dois depoimentos, uma acareação seria ideal para ver quem está falando mais a verdade."

Análise de documentos
Os integrantes da comissão já solicitaram documentos ao Supremo Tribunal Federal, Procuradoria da República, Polícia Federal, CPMI dos Correios, Corregedoria da Câmara, Comissão de Ética e Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara. Segundo Paulo Pimenta, a idéia é analisar os documentos de forma completa e identificar os parlamentares que teriam recebido recursos de forma indevida para votar em projetos de interesse do governo ou não. A partir do levantamento completo, explica o deputado, cada caso particular será investigado.

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Reportagem - Idhelene Macedo
Edição - Simone Ravazzolli

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