Dirceu nega acusações e é confrontado por Jefferson

02/08/2005 - 19:05  

Em depoimento ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, o ex-ministro da Casa Civil deputado José Dirceu (PT-SP) negou as acusações do deputado Roberto Jefferson (PTB-SP) e destacou que jamais teve conhecimento nem permitiria a compra de votos no Congresso. Ele também negou ter relação com a suposta corrupção ocorrida nos Correios ou em Furnas Centrais Elétricas.
Em um discurso irônico, Roberto Jefferson reiterou as denúncias que fizera no depoimento anterior ao conselho. Ao explicar por que foi aos ministros falar sobre o "mensalão" em vez de levar a denúncia formalmente ao Ministério Público, disse: "Acreditava quando V. Exa. dizia que o PT não rouba e não deixa roubar. Hoje não acredito mais."
Dirceu observou repetidas vezes que seu nome nunca foi citado na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. "Não estou sendo acusado de corrupção em nenhum órgão público. Roberto Jefferson sim, é réu confesso", afirmou. E completou: "Ele (Jefferson) não pode achar que o País vai aceitar a denúncia de que existe o `mensalão` mas que seu partido não recebe."
O depoimento continua neste momento no plenário 2.

Cheque falso
Em resposta ao relator do conselho, deputado Jairo Carneiro (PFL-BA), o ex-ministro informou que um cheque com o mesmo número daquele supostamente descontado por seu assessor Roberto Marques das contas do empresário Marcos Valério foi retirado do Banco Rural por outra pessoa. Por esse motivo, Dirceu acredita que a CPMI dos Correios vai verificar que o documento enviado pelo banco à CPMI, demonstrando o saque de R$ 50 mil por Roberto Marques, é falso.
O deputado negou que falasse freqüentemente por telefone com o empresário Marcos Valério, apontado como o operador do "mensalão". Dirceu disse que os dois se encontraram pessoalmente apenas duas vezes na vida.
Ele lembrou ainda que o Banco Rural não confirmou que Marcos Valério fez empréstimos para Angela Saragoza, sua ex-mulher.

Empréstimos para o PT
Dirceu garantiu que não tinha conhecimento da administração do tesoureiro licenciado do PT, Delúbio Soares, ou dos empréstimos tomados por Marcos Valério para o partido. Ele disse que assume todos os seus atos como ministro-chefe da Casa Civil e como deputado, mas não os da Executiva do PT.
Dirceu também afirmou que não teve conhecimento do suposto acordo de R$ 20 milhões prometido pelo PT ao PTB nas eleições ao 2004. "Os acordos eleitorais são problema do PT, não da Casa Civil", delimitou.
Já o deputado Roberto Jefferson disse que todos os acordos eleitorais nos estados de São Paulo, Paraná e Goiás, entre outros, foram fechados na presença de Dirceu e do ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, ligado ao PTB.
Jefferson também lembrou que representantes do PT e do PTB tiveram encontro, no início deste ano, com a Portugal Telecom para negociar as dívidas dos dois partidos. Dirceu rebateu a acusação: "Nunca tive nenhuma relação com a Portugal Telecom. Trata-se de uma mentira."

Sem ingerência na Abin
O ex-ministro disse ainda que não tinha razões para mandar a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) investigar o deputado Roberto Jefferson, como este afirma, até porque ele (Jefferson) era um aliado do governo. Segundo Dirceu, nem a Abin nem a Polícia Federal são subordinadas à Casa Civil, motivo pelo qual ele, como ministro, não tinha ascensão sobre os dois órgãos.
José Dirceu retrucou ainda o argumento de que ele seria amigo íntimo do ex-diretor-geral da Abin, Mauro Marcelo. "É uma mentira deslavada", afirmou.

Leia mais:
PTB pede perda de direitos políticos
Dirceu verificava indicações para cargos de confiança

Reportagem - Cristiane Bernardes
Edição - Francisco Brandão

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)

Agência Câmara
Tel. (61) 3216.1851/3216.1852
Fax. (61) 3216.1856
E-mail:agencia@camara.gov.br
A Agência também utiliza material jornalístico produzido pela Rádio, Jornal e TV Câmara.

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'.