Ex-diretor contradiz Jefferson e nega repasse ao PTB

12/07/2005 - 23:43  

Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios na manhã desta terça-feira, o ex-diretor de Administração da estatal Antônio Osório negou que o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) teria pedido para ele arrecadar dinheiro para o partido entre as empresas contratadas pela estatal. O ex-diretor admitiu apenas que Jefferson recomendou que ele tivesse uma boa relação com as empresas para que, na época das eleições, o PTB tivesse onde buscar recursos.
Antônio Osório classificou de "bravatas" as declarações do ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material da estatal Maurício Marinho sobre um suposto esquema de arrecadação de dinheiro para o PTB na estatal.
O ex-diretor declarou também que não houve irregularidade no aditivo que aumentou de R$ 72 milhões para R$ 90 milhões o valor do contrato publicitário assinado entre os Correios e a empresa SMP&B, de Marcos Valério, acusado por Roberto Jefferson de ser o principal operador do suposto esquema de pagamento de "mensalão" a deputados da base governista.

Interesses contrariados
Segundo o ex-diretor, as denúncias de Maurício Marinho, na fita em que o ex-chefe foi flagrado recebendo R$ 3 mil de propina, foram motivadas por "interesses contrariados". Ele não detalhou, no entanto, que interesses seriam esses.
Osório confirmou que sua indicação para o cargo de ex-diretor de Administração dos Correios foi negociada entre o ex-presidente do PTB José Carlos Martinez (que morreu em 2003) e o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) questionou a qualidade da nomeação. Osório respondeu que sua indicação foi "técnica" e defendeu sua competência, por ter "extenso currículo de serviços prestados à administração pública".
A deputada Juíza Denise Frossard (PSDB-RJ) apresentou requerimento para que a comissão ouça o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (PMDB-SP), e anunciou que vai solicitar a presença do ex-presidente do PT José Genoino para que eles expliquem o funcionamento das indicações de partidos para a ocupação de cargos públicos.
Ela lembrou que Roberto Jefferson disse em depoimento à comissão que essas indicações tinham por meta "conseguir dinheiro para os partidos". Jefferson declarou também que pediu a Antônio Osório que arrecadasse dinheiro para o partido entre as empresas que trabalham com os Correios.

Encontros causais
Antônio Osório afirmou ainda que Roberto Jefferson e Maurício Marinho tiveram apenas encontros casuais. O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) lembrou, no entanto, que a informação está em desacordo com o que foi declarado por Marinho à Polícia Federal. O funcionário dos Correios disse que Antônio Osório o levou para jantar com o Roberto Jefferson e também para uma reunião na liderança do PTB.
O ex-diretor também procurou negar que tivesse intimidade com Maurício Marinho. Respondendo ao deputado Henrique Fontana (PT-RS), ele disse que nomeou Marinho para a chefia de departamento porque o considerava um "excelente técnico" desde o dia em que assistiu a uma "brilhante apresentação" feita por ele quando ainda trabalhava no Departamento de Treinamento da estatal.
O primeiro depoimento do ex-diretor de Administração dos Correios à CPMI ocorreu em 30 de junho, mas foi interrompido para que a Comissão ouvisse o deputado Roberto Jefferson, autor da denúncias sobre o esquema de mensalão.

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Reportagem - Mônica Montenegro e Joseana Paganine
Edição - Francisco Brandão

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