CPMI dos Correios: avaliação de empréstimo não é consenso

04/07/2005 - 20:19  

A investigação sobre o empréstimo de R$ 2,4 milhões do Banco BMG ao PT, tendo o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza como avalista, promete provocar nova batalha entre governo e oposição na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. O vice-líder do PSDB deputado Eduardo Paes (RJ) e o relator da comissão, deputado Osmar Serraglio (PMDB-RJ), divergem sobre a competência da CPMI para apurar a relação do PT com o publicitário. Marcos Valério é acusado de ser intermediário do suposto esquema de pagamento de "mensalão" a deputados do PP e do PL em troca de apoio ao governo.
A oposição quer alterar imediatamente a agenda da CPMI para ouvir, ainda neste mês, o presidente petista, José Genoino; o tesoureiro do partido, Delúbio Soares; e o secretário-geral licenciado, Silvio Pereira.

Promiscuidade
O vice-líder do PSDB classificou de “promíscua” a relação entre PT e Marcos Valério. Eduardo Paes acredita ser inevitável a investigação da CPMI dos Correios sobre o caso. "Depois das provas surgidas no fim de semana, não resta alternativa ao PT a não ser permitir que esses agentes do partido, próximos ao governo e ao presidente, sejam investigados até as últimas conseqüências."
O deputado da oposição observou que as ações do governo para instalar, somente na Câmara, comissão parlamentar de inquérito para investigar as denúncias sobre o "mensalão" e as suspeitas de compra de votos na aprovação da Emenda da Reeleição, em 1997, serão interpretadas como tentativa de desviar a atenção da opinião pública.

Competência
Já o relator da CPMI dos Correios teme que a comissão não tenha competência jurídica para investigar as relações comerciais entre PT e Marcos Valério. Segundo Osmar Serraglio, é preciso delimitar a área de atuação das CPIs para evitar a fragilização jurídica das comissões. Para ele, o caso seria mais bem apurado na CPI do Mensalão, a ser criada na Câmara ou no Congresso.
Quanto à provável convocação de José Genoino e Delúbio Soares na CPMI dos Correios, o relator ponderou que tudo vai depender do entendimento entre os demais integrantes da comissão. "Há interesse da comissão em tirar isso a limpo, em saber. Mas não quero antecipar o momento de eles serem ouvidos porque a decisão é da comissão, não do relator."

Acareação
Osmar Serraglio observou que admite a possibilidade de acareação entre o publicitário Marcos Valério e a ex-secretária dele Fernanda Karina Somaggio. A acareação, no entanto, só poderá ser feita depois do depoimento individual de ambos, marcado para quarta-feira (6).
O relator pretende concentrar suas perguntas na suspeita de superfaturamento dos contratos entre os Correios e a agência de publicidade SMP&B. No mesmo dia, deverá ser definida a agenda de depoimentos para as próximas semanas.
Amanhã, a CPMI vai ouvir José Fortuna, Jairo Martins, Kasser Bittar e Edgar Lange, envolvidos na gravação do flagrante de corrupção nos Correios.

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Reportagem - José Carlos Oliveira
Edição - Francisco Brandão

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