Agricultura representa 43% das exportações brasileiras
18/05/2005 - 18:56
No painel sobre o comércio de produtos agrícolas, o acesso aos mercados dos países desenvolvidos e a questão dos subsídios, a secretária de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Elizabete Torre Seródio, enfatizou que o setor representa hoje 34% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, 43% das exportações e 37% dos empregos.
Ela participou, nesta tarde, do seminário sobre a Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), promovido pelas comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional; de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; e de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio.
Negociações
A secretária lembrou que os principais pontos que estão sendo negociados na Rodada de Doha são o acesso a mercados; as medidas de apoio interno aos produtores, exportadores, e ao comércio; e a eliminação total dos subsídios às exportações. Mas ela acredita que é mais fácil o acesso a mercados nas negociações regionais, como no Mercosul ou na Alca.
O chefe do Departamento de Comércio Exterior da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, Antônio Donizete Beraldo, explicou que o agronegócio brasileiro é o setor mais aberto da economia nacional. "É o setor mais interessado nas negociações da Rodada de Doha porque o Brasil é primeiro lugar no comércio mundial de soja, carnes, suco de laranja, açúcar e álcool. O País só não exporta mais porque as barreiras são absurdamente elevadas".
Barreiras Reportagem - Newton Araújo Jr.
Beraldo lembra que, se o Brasil quisesse exportar frango para o Canadá, teria de enfrentar tarifa alfandegária de 505% do valor exportado. Na Noruega, a tarifa é de 900%. Beraldo assinala a controvérsia de ser a Agricultura o setor mais protegido no comércio mundial, mas é onde o Brasil conseguiu os melhores resultados.
O representante da CNA lamenta que, além das barreiras alfandegárias, existam as barreiras fitossanitárias. Como exemplo, ele citou o caso das exportações de manga para o Japão. "Foram necessários 32 anos de negociação. Se não houver acordos na área de Agricultura na Rodada de Doha, é melhor não haver qualquer acordo".
Beraldo ressaltou ainda que os contenciosos na OMC quanto ao algodão e ao açúcar foram ganhos importantíssimos para o Brasil. "Possivelmente maiores do que se conseguirá na Rodada de Doha. Por isso, é preciso buscar caminhos para continuar a derrubar tarifas e subsídios na OMC", concluiu.
Edição - Regina Céli Assumpção
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